Produtores de fumo lembram que setor gera 2,4 milhões de empregos
Da Redação | 26/09/2005, 00h00
A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) é contra a ratificação da convenção, pois o país é o segundo maior produtor mundial de tabaco e ocupa o primeiro lugar em exportação. A entidade alega que a fumicultura brasileira gera 2,4 milhões de empregos diretos e indiretos, além de ser fonte de sustento de 236 mil famílias de pequenos agricultores, concentrados, sobretudo, na região Sul, que responde por 96 % da produção nacional de tabaco (850 mil toneladas), com destaque para o Rio Grande do Sul (50 %) e Santa Catarina (34 %).
De acordo com a Afubra, a fumicultura rendeu mais de R$ 3,6 bilhões para os produtores de fumo no ano passado, ou cerca de R$ 23.600 para cada propriedade que, em média, cultiva apenas 2,69 hectares de fumo. Em 2005, a exportação brasileira de tabaco teria movimentado R$ 4,2 bilhões e o faturamento interno foi de R$ 9,7 bilhões, dos quais R$ 6,5 bilhões na forma de tributos.
Ainda segundo dados da entidade, os produtores nacionais de fumo teriam R$ 2,7 bilhões investidos em estufas e ferramentas de uso exclusivo para a fumicultura. A Afubra entende que o Brasil já dispõe de rigorosa legislação anti-fumo e que a ratificação da convenção seria uma forma de "exportar anti-tabagismo e terminar com os empregos gerados no país pelo setor".
A medida, na avaliação do presidente da Afubra, Hainsi Gralow, acabaria favorecendo alguns dos maiores produtores mundiais de fumo que ainda não ratificaram a convenção, como a China e os Estados Unidos. Ele garante que a substituição das lavouras por outras culturas não eliminará os prejuízos dos agricultores, pois o fumo apresenta rentabilidade de 92% e constitui-se na cultura ideal para as pequenas propriedades da região Sul.
Apresentaram argumentação contrária não só o presidente da Afubra, Hainsi Gralow, como os presidentes da Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias de Fumo e Afins (Fentifumo), Dorval Knak; e da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Carlos Esperotto; além dos representantes da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Elmar Schneider; da Confederação Nacional dos Trabalhadores (Contag), Sérgio Miranda; das Federações dos Trabalhadores na Agricultura de Santa Catarina, Irineu Brezanski, e do Rio Grande do Sul, Ezídio Pinheiro; da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Marcos Antônio dos Santos; do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria do Fumo e Alimentação de Cruz das Almas (BA), Josenita Salomão, e do secretário de Agricultura de Cruz das Almas, Osvaldo da Paz.
Um dos momentos mais polêmicos da audiência ocorreu quando a representante da organização não-governamental Tabaco Zero, Paula Johns, questionou a representatividade da Afubra. De acordo com o Inca, a indústria do fumo se manifestaria por meio daquela entidade, que seria a representante brasileira de uma organização internacional criada com recursos da Souza Cruz para defender seus interesses políticos.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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