Ex-assessor de deputado detalha esquema de corrupção no Rio de Janeiro
Da Redação | 21/09/2005, 00h00
Jorge Luiz Dias disse que o Bispo Rodrigues cobrava um "mensalinho" de R$ 10 mil a R$ 15 mil de todos os 29 deputados estaduais e 22 deputados federais pelo Rio de Janeiro ligados à Igreja Universal do Reino de Deus. A propina também seria cobrada dos funcionários dos gabinetes desses parlamentares. Ele denunciou ainda uma operação fraudulenta entre a Loterj e uma agência de publicidade que teria rendido a Waldomiro e Rodrigues cerca de R$ 200 mil mensais.
O depoente afirmou, entretanto, não ter provas de que as casas de bingo do Rio contribuíam com R$ 1 milhão mensais para Waldomiro e Rodrigues, conforme garantiu semana passada, em depoimento à CPI dos Bingos, a radialista e deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ).
Funcionário da Assembléia Legislativa do Rio, Jorge Luiz Dias contou também que a direção da Loterj pretendia contratar a empresa Facilit para prestar serviços à instituição. Em contrapartida, teria de pagar mensalmente R$ 800 mil ao Bispo Rodrigues. Mas a contratação da empresa, informou, não foi efetivada.
Ele também apresentou à CPI dos Bingos "outras provas" indicando que o Bispo Rodrigues - da mesma base política do então governador Antony Garotinho - cobrava propina de até R$ 50 mil de pretendentes a cargos de direção em repartições públicas ou empresas privadas controladas politicamente pelo deputado.
Jorge Luiz contestou, entretanto, afirmação da deputada Cidinha Campos de que ele teria "provas contundentes" da participação do Bispo Rodrigues, na condição de mandante, no assassinato do deputado Valdeci Paiva de Jesus. Mas afirmou que o Bispo Rodrigues chegou a pressioná-lo para acusar o deputado Carlos Abrahão de responsabilidade pelo crime.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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