Chefe de gabinete de Lula faz questão de depor em reunião secreta
Da Redação | 15/09/2005, 00h00
Apesar da insistência de alguns senadores, entre eles Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), o chefe do gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, preferiu depor em reunião secreta, nesta quinta-feira (15), na Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos. O depoimento de Gilberto Carvalho foi acompanhado apenas por senadores, assessores diretos da CPI e técnicos do Tribunal de Contas da União.
Até o início da tarde, ainda havia 14 senadores inscritos para fazer perguntas a Carvalho e a previsão era de que a reunião se estendesse até as 17h, aproximadamente.
- Já que fui convocado para depor nesta CPI em caráter reservado, prefiro manter os termos da convocação, mas informo que irei contribuir com o meu país e falar toda a verdade -resumiu Gilberto Carvalho.
O assessor do presidente Lula foi acusado por João Francisco Daniel - irmão do prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, assassinado em janeiro de 2002 - de conhecer o esquema de corrupção no município, além de abastecer os cofres do PT com recursos oriundos de propinas.
A secretaria da CPI informou que, antes do depoimento reservado, seria exibido um vídeo destacando os principais trechos do depoimento de João Francisco, prestado na semana passada à CPI. Na ocasião, João Francisco contou que, antes da missa de sétimo dia do ex-prefeito, Gilberto Carvalho - que na época trabalhava como assessor na Prefeitura de Santo André - foi ao apartamento dele (João Francisco) e detalhou todo o esquema de corrupção e pagamento de propinaque envolvia, principalmente, empresas de ônibus do município, para formação de caixa 2 para campanhas eleitorais do PT.
João Francisco garantiu, ao longo do depoimento, que seu irmão foi assassinado de forma planejada, "por encomenda", ao mesmo tempo em que afastou a hipótese de crime comum, conforme indicou o inquérito policial. Ele disse acreditar que a morte de Celso Daniel foi selada a partir do momento em que vazaram informações de que o então prefeito estaria concluindo um dossiê denunciando o funcionamento de todo o esquema de corrupção. Tal esquema, ainda segundo João Francisco, seria "chefiado pelo então secretário de Obras do município, Klinger de Oliveira Souza, com apoio do empresário Ronan Maria Pinto e Sérgio Gomes" - o Sombra, que estava com Celso Daniel quando ele foi assassinado.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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