Efraim e Garibaldi duvidam da hipótese de crime comum no assassinato do ex-prefeito petista Celso Daniel
Da Redação | 14/09/2005, 00h00
O presidente da comissão parlamentar mista de inquérito dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB), e o relator, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), admitiram ter dúvidas se o assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel, foi, de fato, crime comum. A tese de crime comum foi defendida pelos delegados Armando Oliveira Costa e José Mazi durante depoimento à comissão nesta quarta-feira (14). Lotados no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa da Polícia do Estado de São Paulo, os delegados participaram das investigações sobre o assassinato do prefeito petista, ocorrido em janeiro de 2002.
- Eu tenho que acreditar no que os delegados apuraram. Mas existem dúvidas e vamos tentar esclarecê-las. A versão do irmão de Celso Daniel é uma, a versão dos delegados é outra. Temos que avançar para saber se, além da morte, existia o envolvimento do crime organizado, da máfia do lixo ou dos transportes - avaliou Efraim.
O relator da CPI também afirmou ter dúvidas sobre a veracidade da versão de crime comum relatada pelos depoentes.
- Precisaríamos aprofundar mais a investigação, mas nós não estamos investigando crimes, estamos investigando esquemas de corrupção - ponderou Garibaldi.
Nas quase quatro horas de depoimento, Armando Costa e José Mazi revelaram detalhes sobre o crime e sua investigação. Efraim demonstrou duvidar que Sérgio Gomes da Silva, "O Sombra", segurança do prefeito, realmente não tenha tido participação no assassinato, como alegaram seus advogados. O presidente da CPI dos Bingos chegou a sugerir que o segurança mentiu para a polícia. Os delegados também afastaram a hipótese de que outras seis pessoas assassinadas após a morte de Celso Daniel tenham sido eliminadas como "queima de arquivo", conforme insinuou o senador Flávio Arns (PT-PR). A hipótese de tortura também foi descartada.
- Tortura física, típica para se extrair informação, não há. No laudo não há indícios de tortura física. Nada nos autos mostra indícios de crime político ou de crime de mando - garantiu Armando Costa, admitindo, entretanto, a possibilidade de ter havido tortura psicológica dos investigados.
Também participaram da reunião da CPI dos Bingos os senadores Tião Viana (PT-AC), Romeu Tuma (PFL-SP) e Eduardo Suplicy (PT-SP).
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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