Cristovam sai do PT e critica o governo
Da Redação | 09/09/2005, 00h00
O senador pelo Distrito Federal Cristovam Buarque enviou carta ao presidente regional do Partido dos Trabalhadores, Vilmar Lacerda, nesta sexta-feira (9), pedindo a sua desfiliação. Cristovam era filiado ao PT desde 1990 e ainda não decidiu a nova legenda na qual vai ingressar.
Na carta, o senador faz críticas ao partido e ao governo Luiz Inácio Lula da Silva e expõe os motivos que o levaram a sair do PT. O parlamentar afirma, no texto, ter feito "a opção de continuar na luta pelas reformas sociais que o Brasil espera, e não na luta interna entre as tendências do partido, que considero fratricida, corporativa, anti-popular".
"Nós ficamos na retaguarda do povo: nossos intelectuais fazem a apologia ao silêncio, nosso governo se entrega sem arriscar medidas transformadoras, nosso partido se dilacera na luta interna e nos erros de alguns que o Presidente chama de traidores. Não temos o direito de pedir ao povo brasileiro que espere de cinco a dez anos enquanto fazemos nossa autocrítica, nos concentramos na disputa interna e levamos adiante a nossa refundação", escreveu.
Cristovam alerta que o Brasil poderá sofrer um retrocesso político se as forças de esquerda não se unirem "para manter acesa a chama da esperança de um País justo, não formular uma alternativa transformadora da sociedade e não apresentar essa alternativa desde já.". E prevê que, na eleição de 2006, o PT não estará em condições de ser o portador dessa esperança.
Mais adiante, o senador diz que "o governo Lula não conseguiu, e o PT não conseguirá, nos próximos anos, ser o portador da aspiração da unidade nacional". Afirma também que, qualquer que seja o seu futuro, manterá o compromisso do PT. "Deixo a sigla para continuar petista", disse.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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