CPI dos Correios entrega relatório à Corregedoria da Câmara

Da Redação | 06/09/2005, 00h00

O presidente e o relator da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS) e deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) entregaram na tarde desta terça-feira (6) à Corregedoria da Câmara o relatório parcial, feito em parceria com a CPI do Mensalão, recomendando a abertura de processo de perda de mandato de 18 parlamentares envolvidos nas denúncias de corrupção.

O relatório parcial foi aprovado na semana passada, mas segundo Serraglio, ainda não havia sido encaminhado porque a documentação instrutiva, as referências e os anexos ainda não estavam prontos.

- Precisamos provar que tudo a que fizemos referência não foi invenção dos relatores. Tudo está documentado - explicou.

Serraglio adiantou que deverá entregar um segundo relatório parcial na quinta-feira da próxima semana (15).

- Começaremos a apresentar o outro lado da CPI, que é a análise documental dos contratos, apesar demuita coisa ainda estar pelo meio do caminho - disse.

O deputado disse que não é certo que esse segundo relatório faça alguma menção ao nome do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de ter recebido recursos das agências do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, suposto operador do "mensalão", em sua campanha ao governo de Minas Gerais em 1998.

- Nós não o incluímos no primeiro relatório porque tínhamos um critério: prática de ato enquanto parlamentar. Quem vai decidir se a eleição de 1998 vai ser objeto de investigação, e, portanto, se vai constar do relatório, é o Plenário da CPI - explicou.

Para o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), membro da comissão, o mesmo tratamento que for dado a Azeredo deverá ser conferido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Se houver representação contra ele, tem que haver contra o presidente, com maior razão, porque relativamente a Lula, as denúncias de recursos indevidos na campanha eleitoral atingem diretamente a sua candidatura, maculando o seu mandato - afirmou.

Programação

Em reunião administrativa interna realizada nesta terça-feira, foi estabelecido o calendário das próximas duas semanas. Pela programação, a Sub-relatoria de Movimentação Financeira ouvirá, no dia 13 (terça-feira), a presidente do Banco Rural, Kátia Rabelo, e mais dois diretores da instituição. A Sub-relatoria de Contratos, por sua vez,ouvirá os dirigentes da Skymaster e Mauro Dutra, proprietário da Novadata, empresas que prestam serviço aos Correios.

No dia 14 (quarta-feira), o chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência, Luiz Gushiken, prestará depoimento no plenário da comissão. No dia 15 (quinta-feira), haverá reunião administrativa.

Na semana seguinte, no dia 20 (terça-feira), a Sub-relatoria de Movimentação Financeira ouvirá o sócio e advogado de Marcos Valério, Rogério Tolentino, e dirigentes do BMG, ao passo que a Sub-relatoria de Contratos receberá o ex-diretor dos Correios Maurício Madureira e dirigentes da Beta, outra empresa que presta serviços à instituição.

No dia 21 (quarta-feira), prestará depoimento no plenário da comissão o empresário Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity. Suas empresas são apontadas como depositárias das contas de Valério. No dia 22 (quinta-feira), haverá nova reunião administrativa.

Para Delcídio, essa nova dinâmica de oitivas em sub-relatorias dará agilidade aos trabalhos da comissão. Pelas contas do presidente, a comissão vai "levantar acampamento" no dia 15 de dezembro. Ele afirmou que não pretende prorrogar o prazo de 180 dias, e que a meta dos próximos três meses será "perseguir a origem dos recursos" que alimentaram o esquema de corrupção.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)