Relator manifesta decepção com depoimento de prefeitos
Da Redação | 01/09/2005, 00h00
João Magno manifestou especial decepção com o depoimento do ex-prefeito de Divino das Laranjeiras, Edson Alves de Souza (PPS), conhecido como Edson Bodola, que admitiu conhecer muitos agenciadores da região do leste de Minas Gerais, mas negou-se a citar nomes.
- Conheço mais de mil, mas citá-los seria colocar minha cabeça à prêmio - alegou.
João Magno e negou, enfaticamente, que tivesse qualquer tipo de participação no negócio dessas quadrilhas de agenciadores, mas admitiu ter sido avalista de cinco amigos (Nilcinho, Rogério, Miltinho, Marcone e Wagner) que precisaram pedir dinheiro emprestado para viajar ilegalmente até os Estados Unidos.
Edson Bodola revelou ter morado nos Estados Unidos entre 1998 e 1996 com sua família e ser proprietário de duas empresas no estado de Connecticut (EUA), uma de jardinagem, a Green Life, outra de turismo, a Leader, hoje administradas por um de seus irmãos. Ele confirmou que viaja aos Estados Unidos algumas vezes por ano, para cuidar dos negócios.
Edson Bodola disse ter sido afastado do cargo de prefeito há dois meses, por acusação de compra de votos nas eleições de 2004, fato que atribui à perseguição política por parte dos políticos tradicionais da cidade que foram derrotados por ele.
Morte nos Estados Unidos
Perseguição política também foi o motivo alegado pelo prefeito de São Félix de Minas (MG),Wanderley Vieira de Souza, para ser acusado de ser o agenciador que levou o brasileiro Wendel Pereira a atravessar a fronteira do México para os Estados Unidos. Wendel Pereira morreu naquele país e sua família levou mais de um mês para descobrir seu paradeiro.
Segundo Wanderley, sua única participação no caso foi humanitária, entrando em contato com um parente radicado nos Estados Unidos para ajudar na remoção de Wendel para um hospital, providência que não conseguiu evitar sua morte. Ele disse ter sido professor e amigo de Wendel.
- Eu o convidei para trabalhar comigo na prefeitura, mas ele preferiu buscar a aventura - lamentou.
Wanderley também disse conhecer muitos agenciadores, mas alegou não poder citar nomes. Ele afirmou jamais ter viajado ao exterior e sequer possuir um passaporte.
- Tive sorte: quando muito jovem pretendi entrar ilegalmente nos Estados Unidos, mas fui barrado ainda no aeroporto de Confins (Belo-Horizonte), pela Polícia Federal, por causa de passaporte falso. Levei sete anos para limpar meu nome, mas aprendi a lição - disse.
O presidente da CPI, senador Marcelo Crivella (PL-RJ), informou que a comissão, ao final de seus trabalhos, apresentará um projeto de lei para tipificar o crime de agenciador de emigrantes brasileiros para entrada ilegal em outros países, definindo punições como prisão e multa para todos os envolvidos na operação.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: