Sócio da Guaranhuns não explica operações com Marcos Valério
Da Redação | 30/08/2005, 00h00
O empresário José Carlos Batista, sócio da empresa Guaranhuns Empreendimentos, tem 15 dias para esclarecer a operação de captação de Certificados de Participação em Reflorestamento que realizou para o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Em depoimento à CPI Mista do Mensalão nesta terça-feira (30), ele relacionou a essa operação os R$ 4 milhões que afirmou ter recebido da agência de publicidade SMP&B para repassar ao ex-deputado e presidente do PL, Valdemar da Costa Neto. Parlamentares acham que o repasse pode ter sido de R$ 6 milhões .
De acordo com José Carlos Batista, a SMP&B teria feito um contrato com a Guaranhuns no valor de R$ 10 milhões para que ela comprasse, no mercado, os Certificados de Participação em Reflorestamento e os repassasse à empresa. Pela operação, a SMP&B lhe teria pago uma comissão de R$ 4 milhões. Esse é o mesmo valor que foi repassado ao presidente do PL. Vários membros da CPI questionaram o que José Carlos teria ganhado com a operação, uma vez que a comissão que sua empresa receberia pelo negócio foi repassada a Valdemar da Costa Neto.
Os deputados José Rocha (PFL-BA) e João Correia (PMDB-AC) afirmaram que os dados da quebra de sigilo bancário das contas de Marcos Valério apontam que os repasses feitos para a empresa Guaranhuns foram, na verdade, de mais de R$ 6 milhões, e não apenas R$ 4 milhões, como José Carlos Batista vinha afirmando. Eles também descobriram a existência de contas da empresa no Banco Bradesco. José Carlos, que vinha afirmando ter operações bancárias apenas no Banco Sudameris, acabou admitindo essas outras contas.
Depois de entrar em contradição algumas vezes, José Carlos Batista reconheceu que possui 1% do capital da Guaranhuns empreendimentos, e que os outros 99% pertencem à Esfort Trading, uma empresa uruguaia da qual ele também é sócio e presidente. Os parlamentares da CPI suspeitam de que ele seja apenas um "laranja".
Representantes da CPI devem ir ao Uruguai investigar as operações da Esfort Trading. Também pode ser transferido o sigilo das operações da Guaranhuns na Bolsa de Valores e na Bolsa de Mercadorias e Futuros.
José Carlos deixou muitas perguntas sem resposta. Ele recusou-se a dizer quem intermediou a entrega dos R$ 4 milhões a Valdemar da Costa Neto, nem apontou os nomes das pessoas das quais afirmou ter medo. Assegurando que somente recebeu dinheiro de Marcos Valério por meio de transferências bancárias (TEDs e DOCs), o empresário não explicou diversos cheques emitidos pela SMP&B a favor da Guaranhuns.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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