Gianelli diz na CPI dos Bingos que recebeu ameaça de ex-diretor da Gtech

Da Redação | 30/08/2005, 00h00

O advogado Enrico Gianelli, que prestou serviços à multinacional Gtech Brasil, confessou aos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos, em depoimento realizado nesta terça-feira (30), que foi ameaçado, em 2003, pelo então diretor de marketing da empresa, Marcelo José Rovai. Depois de conversar com seu advogado, Gianelli corrigiu: em vez de ameaçado, disse que foi "advertido".

- Não sei explicar o motivo nem declinar o porquê da advertência, mas Rovai me disse que eu não só perderia o emprego mas também a carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Também não posso afirmar que ele fez isso cumprindo ordens da Gtech. O fato é que realmente, no final de 2003, eu terminei perdendo o emprego que tinha na Fisher & Foster - declarou Enrico Gianelli.

Mesmo inquirido insistentemente pelos senadores Tião Viana (PT-AC), Geraldo Mesquita Júnior (PSOL-AC) e pelo presidente e pelo relator da CPI, senadores Efraim Morais (PFL-PB) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), Enrico Gianelli não revelou os termos da ameaça ou advertência que teria sofrido de Marcelo Rovai. Mas respondendo a questionamento de Efraim, ele garantiu que a ameaça se deu mesmo em 2003 e que não manteve contato com o ex-dirigente da Gtech nos últimos dias.

Geraldo Mesquita indagou ao depoente se a demissão da Fisher & Foster teria sido solicitada pelo ex-presidente da Gtech, Antonio Carlos Lino Rocha. Segundo o senador, Lino Rocha teria reclamado que a atuação de Enrico Gianelli na defesa dos interesses da Gtech estaria sendo excessiva e que o advogado estaria agindo por conta própria, sem autorização da empresa. Gianelli confirmou que houve o pedido de sua demissão, mas que sua rescisão não se deu por este motivo.

- Não foi esta a razão da minha demissão, nem muito menos o que motivou a advertência que recebi, já que o pedido de Lino Rocha ocorreu no início de 2003 e eu só fui demitido no final daquele ano - explicou Enrico Gianelli.

Durante o depoimento, Efraim Morais antecipou que Enrico Gianelli será convocado novamente, desta vez para ser acareado com outros envolvidos no caso que já foram inquiridos pela CPI. A reunião da Comissão foi interrompida em virtude do início da Ordem do Dia no plenário do Senado. Ela prosseguirá nesta quarta-feira (31), às 11h30, quando será ouvido Juscelino Dourado, chefe de gabinete do ministro da Fazenda, Antônio Palocci.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)