Presidente e relator estranham "sorte" da GTech em decisões judiciais
Da Redação | 17/08/2005, 00h00
"Estranho. Sempre na 17ª Vara e com a mesma juíza. Talvez seja questão de sorte, já que se tratava de jogo", brincou o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Bingos, senador Efraim Morais (PFL-PB), em entrevista coletiva à imprensa após a reunião da CPI que ouviu o depoimento do ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Valderi Albuquerque. O estranhamento de Efraim foi porque o depoente relatou que as tentativas da Caixa de implantar um novo tipo de licitação, ou de baratear o custo do contrato com a GTech, foram impedidas pela multinacional durante as negociações e, também, por meio de liminares na Justiça a favor da GTech. Valderi afirmou que as liminares sempre eram concedidas na mesma instância, a 17ª Vara Federal, em Brasília, e com a mesma juíza.
O senador Flávio Arns (PT-PR) pediu que a comissão solicite a cópia de cada liminar concedida em favor da multinacional. O relator da CPI dos Bingos, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), também estranhou o fato.
- Essa coincidência leva a uma estranheza. Precisamos avaliar porque a Justiça, numa mesma vara, um mesmo juiz, sempre deu ganho de causa às liminares da GTech. Ninguém pode pré-julgar, mas há uma certa estranheza nisso - avaliou Garibaldi.
Para Garibaldi, a diretoria da Caixa pensava em parar de trabalhar com a GTech. Por isso, o relator disse não entender a razão da estatal, que estava "tão incomodada", ter renovado o contrato. Além da renovação de três meses, durante a gestão de Valderi, o contrato foi novamente renovado, por 25 meses, na atual gestão de Jorge Mattoso na presidência da CEF. Para Efraim, Mattoso deve esclarecer tais renovações.
- O contrato da GTech com a Caixa é viciado desde o nascedouro até o presente momento. Não há a menor dúvida de que existe um monopólio da GTech em relação à questão dos jogos com a Caixa Econômica - afirmou Efraim.
Nesta quinta-feira (18), às 10h, a CPI dos Bingos tomará os depoimentos de Mário Haag e Paulo Bretas, ambos ex-vice-presidentes de Logística da Caixa, e também de Carlos Cartell, ex-superintendente de Projetos Especiais da estatal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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