Ex-assessor da Presidência nega que sua empresa tenha recebido dinheiro da Gtech
Da Redação | 10/08/2005, 00h00
Ele relatou ter telefonado para a secretária da empresa, em Belo Horizonte (MG), ao tomar conhecimento de matéria publicada a 3 de agosto pela revista Isto É, que classificou de "mentirosa", dando conta de que a MM Consultoria teria recebido o dinheiro. A secretária o teria tranqüilizado, garantindo que os depósitos seriam frutos de uma ação judicial junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) ganha pela MM. Só que, de acordo com a revista, as datas dos depósitos coincidem com movimentações financeiras consideradas suspeitas do ex-assessor da Casa Civil da Presidência da República Waldomiro Diniz.
- Quem estava no suposto comando da empresa, que pensei até que estivesse na inatividade, era o meu sócio Walter dos Santos Neto. Nunca prestei serviços à Gtech e tampouco tomei conhecimento de algum depósito - afirmou Marcelo Aguiar, que até o mês passado trabalhava para o governo federal.
O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), revelou que, de acordo com a Receita Federal, no período de 2002 a 2003, Marcelo Aguiar era um dos responsáveis pela empresa.
Novas contradições
Logo em seguida, prestou depoimento o atual representante da MM Consultoria, Walter Santos Neto. Ele reconheceu que a empresa realizou contratos com a Gtech destinados a desembaraçar assuntos administrativos com a Caixa, recebendo, desta maneira, honorários pelos serviços prestados. Disse que o seu sócio, Marcelo Aguiar, não responde pela empresa - incluindo representação e assinatura de contratos - desde 1997. Mas não soube explicar como o nome de Marcelo apareceu na Receita Federal como um dos responsáveis pela empresa entre 2002 a 2003.
Os membros da CPI estranharam a grande movimentação de dinheiro nas contas de Walter Santos Neto. Somente em 2004 foram movimentados R$ 7,4 milhões. Santos admitiu que recebeu da Gtech cerca de R$ 5 milhões. Disse também que uma outra empresa também de sua propriedade - R Santos - recebe honorários similares aos da MM, em torno de R$ 5 milhões anuais. Garantiu, entretanto, que jamais as suas empresas pagaram qualquer recursos a políticos, como o mensalão.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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