Valério confirma repasse de R$ 15 milhões à empresa de Duda Mendonça

Da Redação | 09/08/2005, 00h00

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse nesta terça-feira (9) à CPI Mista do Mensalão que o policial Davi Rodrigues Alves mentiu quando negou à CPI Mista dos Correios ter repassado ao publicitário Duda Mendonça, ou para a sócia deste, Zilmar Fernandes da Silveira, os R$ 15 milhões sacados da conta da agência SMP&B, de propriedade de Marcos Valério. Valério confirmou a versão apresentada pela diretora financeira de sua empresa, Simone Vasconcelos, e negou a versão do policial, de que teria entregue o dinheiro à SMP&B.

- Davi Rodrigues mentiu, nunca visitou minhas empresas. Ele estava, sim, à serviço de Duda Mendonça e de Zilmar Fernandes. A autorização para o saque saiu da SMP&B em nome de Zilmar. Ela foi quem repassou a ordem de saque para Davi - afirmou Marcos Valério, em resposta a questionamento feito pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). O empresário também negou ter conhecimento sobre o motivo que levou o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, autorizar a sócia de Duda Mendonça a fazer a retirada do dinheiro.

 Segundo Marcos Valério, toda grande empresa de propaganda tem ou já teve alguma ligação com políticos. Ele disse que, a exemplo da empresa de Duda Mendonça, que fez a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva e, na sua avaliação, detém as principais contas publicitárias do governo, o mesmo ocorreu com a DM9 de Nizan Guanaes, contratada pelo então candidato à Presidência Fernando Henrique Cardoso e, posteriormente, detentora do que seriam as melhores contas do governo do presidente do PSDB.

O sistema de contratação das agências publicitárias pelo governo Lula, de acordo com Marcos Valério, era comandado pelo então ministro da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica (Secom), Luiz Gushiken, e por Marcos Flora, então secretário-executivo da mesma Secom. No governo Fernando Henrique, acrescentou, tal tarefa teria cabido ao então ministro da Secretaria de Comunicação Social, Andrea Matarazzo, e a Luiz Aurélio Gonçalves, secretário de Planejamento e Informação da Presidência da República no governo anterior.

Marcos Valério negou que tenha havido superfaturamento nos contratos que suas empresas firmaram com o governo federal. Ele voltou a confirmar a versão de que todo o dinheiro repassado para parlamentares e outras pessoas indicadas por Delúbio Soares teria como origem empréstimos que avalizou para o PT ou que sacou em nome de suas empresas. O empresário também garantiu não acreditar na existência do mensalão.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)