Wellington Salgado lamenta morte de Jean Charles
Da Redação | 28/07/2005, 00h00
Em seu primeiro pronunciamento na tribuna do Senado como orador inscrito, o senador Wellington Salgado de Oliveira (PMDB-MG) lembrou, nesta quinta-feira (28), a forma como o mineiro Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia inglesa, ao ser confundido com um terrorista. O senador observou que, com a morte de Jean, foi destruída também a esperança de muitos mineiros e brasileiros que deixam o país em busca de trabalho.
- Jean voltou ao Brasil, com 27 anos, depois de morar quatro anos na Inglaterra. Voltou, mas não vai contar o que viu no país do Beatles e dos Rolling Stones - lamentou o senador.
O parlamentar - suplente do senador Hélio Costa, licenciado para assumir o Ministério das Comunicações - informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para o pai de Jean Charles, para apresentar condolências, enfatizar a importância de uma indenização e também comunicar que o governo inglês pediu oficialmente desculpas à família. No entanto, na opinião de Wellington, "não existe indenização ou desculpa que possa curar a tristeza e a saudade" decorrentes da morte de Jean.
O senador Luiz Otávio (PMDB-PA), em aparte, disse que existem 15 mil brasileiros na Inglaterra e, apesar da necessidade de combate ao terrorismo, ele acredita que o governo inglês deve repensar sua forma de ação.
Neste sentido, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) registrou que a polícia inglesa usou, nesta semana, efeito paralisante em pessoa suspeita de envolvimento com terrorismo, o que comprova, disse ele, que não era necessário agir com violência no caso de Jean. Suplicy disse ainda que encaminhou requerimento aos presidentes das Comissões de Relações Exteriores do Senado e da Câmara dos Deputados para que o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, compareça a uma reunião conjunta para explicar as ações do ministério em relação a casos de violência contra brasileiros no exterior.
O senador Mão Santa (PMDB-PI), ao comparar Jean com Tiradentes, disse que ele é um mártir da crise atual, como Tiradentes o foi pela liberdade. Por sua vez, o senador Romeu Tuma (PFL-SP), que presidia a sessão, observou que o acontecimento "traz amargura não só ao povo mineiro, mas a todo o Brasil".
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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