Renilda nega que tenha movimentado milhões em suas contas

Da Redação | 26/07/2005, 00h00

A mulher e sócia do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, Renilda Maria Fernandes de Souza, negou aos integrantes da CPI dos Correios que tenha movimentado, em um ano, R$ 4 milhões em uma de suas contas bancárias pessoais. Segundo o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), levantamento feito pelo Banco Central a partir do pagamento da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) atestou que, nos anos de 2003 e 2004, foram movimentados cerca de R$ 10 milhões nas contas que ela mantém nos bancos Alfa, Boston e Banco do Brasil.

- O Marcos Valério era quem controlava tudo, inclusive o saldo das contas. Ele me dizia que os depósitos eram referentes à divisão de lucros das empresas. Eu não saquei esses R$ 4 milhões em um ano. A conta era conjunta, podia ser movimentada por mim ou por ele. Eu apenas pagava algumas contas domésticas e outras referentes à reforma de nossa casa - afirmou Renilda Maria Fernandes.

Tratando do mesmo assunto abordado por Sérgio Guerra, o deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) ressaltou que a movimentação registrada nas contas de Renilda (que se aproximou de R$ 10 milhões nos dois últimos anos) e de Marcos Valério (três vezes mais no mesmo período) são incompatíveis com a declaração de rendimentos tributáveis no Imposto de Renda conjunto do casal: aproximadamente R$ 50 mil em 2003 e cerca de R$ 90 mil no ano-base 2004.

Já o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), depois de ouvir Renilda de Souza garantir que não efetuava saques em volumes elevados, informou que têm em seu poder duas cópias de recibos de retiradas que teriam sido efetuadas pela depoente no Banco Rural, cada qual no valor de R$ 50 mil, nos dias 26 e 27 de maio último. A princípio, a mulher de Marcos Valério garantiu que nunca sacou, mas depois pediu para olhar os documentos, solicitação que não foi atendida.

Durante duas ocasiões, a reunião da CPI dos Correios teve que ser suspensa durante alguns minutos porque Renilda de Souza perdeu o controle e chorou. A primeira delas foi quando o senador César Borges (PFL-BA) indagou se ela sentia-se mais vítima ou cúmplice do seu marido. Em seguida ela chegou às lágrimas quando se negou a responder ao deputado Alberto Fraga (PFL-DF) uma pergunta que já tinha respondido algumas vezes. Nos dois casos os parlamentares, quando o depoimento foi reiniciado, pediram desculpas e explicaram que não tiveram a intenção de fazê-la perder a calma.

O presidente da CPI, senador Delcidio Amaral (PT-MS) ao perceber que a depoente estava bastante emocionada e sem condições de continuar se submetendo ao interrogatório, encerrou a reunião às 19h50, mesmo com dois parlamentares ainda inscritos para falar. O último a se pronunciar, o deputado Moroni Torgan (PFL-CE) levou Renilda Fernandes às lágrimas quando apelou a ela que contasse tudo o que sabia, junto com seu marido, para não ser confundida no futuro com acusados de corrupção como o tesoureiro de Fernando Collor, PC Farias, e o deputado cassado João Alves, que ficou conhecido no escândalo denominado "anões do Orçamento".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)