Mulher de Marcos Valério depõe à CPI dos Correios na próxima terça

Da Redação | 21/07/2005, 00h00

Renilda Maria, mulher do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, vai depor à comissão parlamentar mista de inquérito dos Correios na próxima terça-feira (26), a partir das 10h. Após reunião fechada de quase três horas, os parlamentares aprovaram ainda requerimento para ouvir a funcionária da SMP&B, Simone Vasconcelos, e o policial civil David Rodrigues Alves na terça-feira seguinte (2). Ambos foram identificados como os maiores sacadores das contas das empresas de Valério.

- Já passamos da fase dos depoimentos econômicos. Agora esperamos que eles sejam mais amplos, abrangentes e sinceros - disse o presidente da CPI, senador Delcidio Amaral (PT-MS)

Também foi aprovada a realização de uma sindicância para apurar o desaparecimento de documentos sigilosos da comissão. O relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) adiantou que a comissão terá três integrantes. Os culpados pelo sumiço dos documentos, disse o deputado, podem responder por crime de quebra de sigilo.

A CPI aprovou em bloco requerimentos pedindo a busca e apreensão dos computadores da SMP&B e da agenda utilizada por Simone; o acompanhamento dos trabalhos da comissão por um representante do Ministério Público; informações sobre a vida pregressa do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho; e a busca e apreensão das fitas do circuito interno do Banco Rural desde janeiro de 2003 até agora.

Também foi aprovado o pedido de envio da cópia do processo da 4ª Vara Federal de Minas Gerais onde consta lista de 120 beneficiados com os saques realizados das contas das empresas de Marcos Valério Fernandes de Souza. Foi aprovado, ainda, pedido de informações à empresa GDK sobre a possível doação de um veículo Land Rover ao ex-secretário geral do PT Silvio Pereira.

Além de marcar os depoimentos, a CPI decidiu que nas quartas-feiras das duas próximas semanas serão realizadas reuniões administrativas. O presidente Delcidio Amaral afirmou ainda que os parlamentares rechaçaram a tentativa de acordo de Marcos Valério para colaborar com a CPI em troca de não ouvir Renilda e Simone.

- Isso tem que ser definido no Ministério Público e o procurador Antônio Fernando não quer falar em delação premiada agora - disse.

Delcidio destacou que a CPI agora está consolidada "a despeito das dificuldades e da defasagem de documentos" e aposta nas informações e documentos que a comissão está recebendo.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)