Delúbio se queixa que CPI dos Correios se transformou em CPI do PT

Da Redação | 20/07/2005, 00h00

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares disse, em depoimento na CPI dos Correios, nesta quarta-feira (20), que a comissão havia se transformado em CPI do PT. Ele fez afirmação depois de observar que, após várias horas de depoimento, somente duas perguntas sobre os Correios lhe haviam sido dirigidas.

- O governo do presidente Lula e o PT estão sofrendo ataques generalizados e a oposição tenta responsabilizá-los pelo "dinheiro não-contabilizado", usado para pagamento de contas das campanhas eleitorais de 2002 e 2004. Como decidi assumir a responsabilidade por esses empréstimos de R$ 39 milhões, fui aconselhado por meus advogados a solicitar um habeas-corpus preventivo ao Supremo Tribunal Federal para vir depor na CPMI - disse. 

Ao responder ao senador Demostenes Torres (PFL-GO), Delúbio confirmou ter feito, junto ao empresário Marcos Valério, seis empréstimos informais entre fevereiro de 2003 e julho de 2004, no valor total de R$ 39 milhões.

Ele disse, ainda, que autorizou, junto ao empresário, que uma lista de pessoas pudesse fazer saques desse dinheiro, entre fevereiro de 2003 e abril de 2005, mas recusou-se a responder qualquer pergunta sobre nomes constantes dessa lista.

- A investigação mostrará isso claramente, no tempo certo. Não há sentido em ficarmos discutindo quem sacou. Também não vou especificar quanto o PT repassou de dinheiro ao PTB ou a outro partido político - disse.

Mensalão

Demostenes afirmou que o caráter seqüencial dos saques feitos no Banco Rural indica claramente que muitos deles eram destinados ao pagamento do "mensalão". A coincidência do mês de abril do corrente ano, quando o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) teria informado o presidente Lula sobre o "mensalão", com a interrupção brusca dos saques vem confirmar essa tese, disse.

Para o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), Delúbio assumiu sozinho a responsabilidade sobre "essa dinheirama", porque sabe que é fruto de operações fraudulentas e contratos superfaturados em estatais como os Correios. Portanto, em sua avaliação, não há dívida a pagar, pois esses R$ 39 milhões já entraram na contabilidade do empresário Marcos Valério.

- Todos conhecemos esse sistema como 'Operação Uruguai', através da qual Collor pretendeu explicar excesso de dinheiro em gastos pessoais. Não colou. Agora estamos vendo a  'Operação Paraguai', uma falsificação da primeira. Quem irá acreditar que Marcos Valério tenha se "endividado" tanto sem obter compensação para suas empresas? - indagou.

Para o senador Jefferson Péres (PDT-AM), é perda de tempo ouvir depoimentos de gente protegida por habeas-corpus. Ele disse que os integrantes da comissão deveriam se concentrar na análise dos documentos já recebidos e na acareação entre o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) e os petistas envolvidos nesse "eclipse moral" de seu partido.


Jefferson Péres conclamou o Congresso a proceder a um processo de purificação da política brasileira, destacando que a Câmara dos Deputados deve fazer uma faxina cívica afastando as dezenas de seus integrantes envolvidos com o "mensalão". O senador fez questão de dizer que não quer tirar qualquer proveito da situação e que tampouco deseja ver o país incendiado.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)