Comissão decide se convoca mulher e funcionária de Marcos Valério para deporem na próxima semana

Da Redação | 20/07/2005, 00h00

Integrantes da CPI dos Correios devem decidir em reunião administrativa, nesta quinta-feira (21), se convocam a depor, na próxima semana, a mulher do empresário Marcos Valério Fernandes, Renilda Fernandes, e a funcionária da empresa SMPB, da qual é sócio, Simone Vasconcelos. Enquanto Renilda Fernandes teve sua conta bancária no BankBoston bloqueada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após suposta tentativa de saque de R$ 1,89 milhão, Simone Vasconcelos deverá ser alvo de mandado de busca e apreensão do computador usado na empresa, já que foi acusada de operar saques milionários nas contas de Marcos Valério.

A princípio, o presidente Delcidio Amaral e o relator Osmar Serraglio pretendem dedicar a próxima semana de trabalhos à análise da documentação já coletada. Mas o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) adiantou sua intenção, durante depoimento do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, de apresentar requerimento solicitando a vinda à CPI dos Correios de Renilda Fernandes, Simone Vasconcelos e do empresário Luciano Paes Melo, sócio de Marcos Valério nas agências de publicidade.

Outros requerimentos podem ser analisados nessa reunião administrativa. O deputado Carlos Sampaio pede, por exemplo, que a comissão envie ofício ao Banco Central para apurar uma possível operação casada entre o ingresso dos petistas Delúbio Soares e José Genoíno como avalistas dos empréstimos de R$ 2,4 milhão (Banco Rural) e R$ 3 milhões (BMG) e a aplicação nesses bancos de recursos dos fundos Petrus, da Petrobras, e Real Grandeza, de Furnas. O parlamentar quer a posição do BC ainda sobre uma operação de leasing feita pelo PT com o Banco Brasil sem fiador e tendo como garantia recursos do fundo partidário, insuficientes, segundo teria admitido Delúbio, para quitar o débito.

Em relação ao depoimento do ex-tesoureiro petista, governistas e oposicionistas se dividiram entre protestos e lamentos pela concessão de habeas corpus preventivo pelo STF, que garantiu a Delúbio o direito de silenciar sobre irregularidades a ele atribuídas. Embora tenha admitido que o PT costumava fazer empréstimos a seus filiados, como ao deputado José Dirceu (cerca de R$ 14 mil) e ao senador Aloizio Mercadante (cerca de R$ 3 mil), recusou-se a dizer se o dinheiro emprestado vinha do fundo partidário, operação proibida por lei.

Das poucas informações reveladas à CPI dos Correios, Delúbio Soares sustentou que as empresas de Marcos Valério nunca deram contribuições para o PT nem tiveram benefícios do governo pelo fato de o empresário ter avalizado empréstimos bancários do partido de quase R$ 39 milhões. Segundo o ex-tesoureiro, a única ajuda pedida por Valério foi a ampliação dos contatos de suas agências com o PT e partidos da base governista para trabalhos de marketing eleitoral.

A exemplo do ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, o ex-tesoureiro petista também se remetia à entrega da declaração de bens à CPI quando indagado sobre seu patrimônio. Depois de muita insistência dos parlamentares, disse continuar a receber, mesmo licenciado, R$ 6 mil por mês do Partido dos Trabalhadores; que sua renda somada à de sua companheira chega a R$ 13 mil e que seu único bem é um veículo Corola Toyota, comprado a prestação por R$ 71 mil.

Delúbio aceitou proposta da CPI de acareação com o deputado federal  Roberto Jefferson (PTB-RJ) e com o empresário Marcos Valério.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)