Notas fiscais apreendidas em BH envolvem valores de até R$ 1 milhão

Da Redação | 15/07/2005, 00h00

A senadora Heloísa Helena apresentou nesta sexta-feira (15) uma pequena amostra dos documentos apreendidos um dia antes em Belo Horizonte: notas fiscais de serviços prestados pela agência de publicidade DNA a estatais e empresas privadas, com valores que variam entre R$ 120 mil e R$ 1,37 milhão. O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, acusado de ser um dos operadores do "mensalão", é um dos sócios da DNA.

Heloísa Helena considerou estranho que Marcos Valério tenha se apresentado à Procuradoria Geral da República, em Brasília, no mesmo dia em que ocorreu a apreensão dos documentos da DNA em Belo Horizonte. O empresário teria proposto fornecer mais informações sobre esquemas de corrupção em troca da redução de sua pena.

A apreensão, promovida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de Minas Gerais, foi realizada na casa de um carcereiro aposentado. Ele seria irmão de um contador de Marcos Valério. Além de documentos, também foram encontrados armas, munições e granadas.

- Foram descobertos dois tambores, de mais de 200 litros cada, cheios de papéis queimados, além de mais de 20 caixas repletas de notas fiscais. É inimaginável que um empresário queime notas fiscais que podem dar segurança contábil a sua firma. É justamente por causa disso, aliás, que as empresas costumam guardam suas notas fiscais por cinco anos. E, nesse caso, há notas de mais de R$ 800 mil, de mais de R$ 1 milhão, referentes a serviços prestados em 2003, por exemplo - relatou a senadora.

Heloísa Helena afirmou que o carcereiro vinha sendo investigado por acusação de homicídio quando foi interceptada uma ligação telefônica em que ele teria dito a seguinte frase: "Se alguém está procurando os documentos, vão quebrar a cara, porque eles estão muito bem guardados". A senadora também informou que está se tentando recuperar parte dos papéis queimados.

- Vamos averiguar se as empresas que aparecem nas notas fiscais apreendidas possuem outras vias desses documentos, e também se os serviços ali referidos foram realmente executados - disse a senadora, acrescentando que ainda não se pode afirmar se esses papéis são "notas frias" ou se referem a contratos superfaturados, entre outras hipóteses.

Heloísa Helena frisou que as notas que apresentou aos jornalistas são uma amostra muito pequena do que foi apreendido, pois teriam sido descobertas "milhares de outras".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)