Virgílio repudia insinuações de petista sobre financiamento de sua campanha e ataca o governo

Da Redação | 14/07/2005, 00h00

O senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) repudiou, em Plenário, o que chamou de provocação do deputado Henrique Fontana (PT-RS), durante a reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, na noite de quarta-feira (13). O deputado, que é suplente na CPI, perguntou a Luiz Otávio Gonçalves, diretor da empresa Skymaster, que presta serviços aos Correios, se a empresa havia colaborado para a campanha do senador. O senador entende que a pergunta foi feita com a intenção de colocar em dúvida sua honra e esclareceu que a Skymaster colaborou com R$ 50 mil para sua campanha como pessoa jurídica, o que é totalmente legal pela atual legislação.

- E eu não colaborei em nada para que essa empresa ou qualquer outra subisse ou descesse na vida - garantiu Arthur Virgílio, expondo a prestação de contas de sua campanha e informando que gastou pouco mais de R$ 1,6 milhão para eleger-se senador pelo Amazonas.

Arthur Virgílio afirmou que todas as doações que recebeu estão declaradas e que não fez "caixa dois", acrescentando que o Tribunal Regional Eleitoral aceitou as suas contas. O senador apresentou em Plenário toda a documentação contendo o nome dos colaboradores de sua campanha e parecer do Ministério Público e do TRE, pedindo que tudo conste nos Anais do Senado.

O senador também contestou as contas apresentadas por alguns senadores, como Jefferson Péres (PDT-AM), Aloizio Mercadante (PT-SP) e Eduardo Suplicy (PT-SP), afirmando que os números não são verdadeiros. O parlamentar disse ainda que há R$ 12,8 milhões doados à campanha do presidente Lula que ele não foram explicados.

Visivelmente irritado e se dizendo transtornado, Arthur Virgílio disse que não admite provocações desse tipo.

- Eu não sou Delúbio, nem Sílvio Pereira nem José Dirceu. Não faço parte desse governo corrupto. O governo não pode tentar se defender acusando pessoas - disse, acusando o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ocultar a verdade dos fatos.

- Chega dessa história de Lula não saber das coisas - disse, acrescentando que se o presidente Lula não tinha conhecimento da suposta corrupção no governo, "ele é um idiota e, se sabia, é um corrupto".

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) defendeu o presidente Lula, argumentando que ele pediu, em reunião ministerial, que o seu governo não fosse defendido com ataques aos adversários. Ele disse ainda que o deputado Henrique Fontana lhe explicara que, antes de sua intervenção na CPI, seis parlamentares do PSDB haviam tentado lançar suspeitas sobre as doações da empresa Promodal à campanha de Lula à Presidência. O senador também garantiu que suas contas de campanha estão corretas e que, se for preciso, pode provar isto.

Arthur Virgílio também criticou o comportamento dos parlamentares que argüiram o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na CPI dos Correios. Para o senador, eles deveriam ter reagido quando o deputado afirmou que ali ninguém era melhor do que ele.

- Se estivesse lá, eu teria dito que há a diferença de nós estarmos fazendo perguntas e ele respondendo e que se a sua campanha tinha caixa dois, a minha não teve - disse.

Em aparte, os senadores Eduardo Azeredo (PSDB-MG), José Agripino (PFL-RN), Mão Santa (PMDB-PI), Rodolpho Tourinho (PFL-BA), Geraldo Mesquita (PSOL-AC) e Sibá Machado (PT-AC) prestaram solidariedade a Arthur Virgílio e testemunhando a favor de sua honestidade.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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