Tourinho diz que não se pode apostar tanto na biomassa
Da Redação | 14/07/2005, 00h00
- Nós podemos contar com a biomassa como uma coisa complementar, mas nunca como uma base de atendimento para, num primeiro ano, crescer três mil megawatts, no segundo ano, crescer mais três etc. Não vejo como isso pode ser feito, mesmo porque não acredito que se possa ter um programa consistente de crescimento do parque energético nacional com quem esteja produzindo energia como um subproduto, como uma coisa secundária e não como sua atividade principal.
Rodolpho Tourinho disse ainda que só se pode contar com a energia da biomassa em São Paulo e em alguns lugares do Nordeste. E questionou:
- E o resto do país, que não tem produção de cana-de-açúcar? Vai ficar como? E além do mais, é uma energia que você não pode usar o ano inteiro. Ela só existe no período de safra".
Na análise do senador, essa é uma energia "com enormes limitações, que tem enormes vantagens para ser complementar, mas imensas desvantagens para ser um produto principal". Ele apontou também a questão do financiamento desses projetos, observando que pode ser um setor que já conte com um endividamento grande no BNDES, sendo difícil continuar nessa política.
O senador lembrou que Silas Rondeau foi convidado a vir ao Senado explicar o que está acontecendo com o gasoduto que interliga o Sudeste e o Nordeste brasileiro, conhecido como Gasene. Tourinho se disse preocupado com o fato de que o discurso do ministro não faz nenhuma referência a esse gasoduto.
- Em entrevistas posteriores, o ministro se referiu ao Gasene, que seria inaugurado em 2007, coisa que não acho que tenha, neste momento, a menor viabilidade, mesmo porque a Petrobras já suspendeu o processo atual. Ora, se há divergências e se esse processo foi suspenso, conforme dito por vários órgãos da imprensa, dificilmente ele pode ser inaugurado em 2007.
Tourinho disse que essa situação traduz uma preocupação muito grande, porque cria uma expectativa sobre uma obra que não será inaugurada. Ele questionou também a afirmação de que, com o Gasene, o Nordeste seria abastecido localmente pelo crescimento da sua oferta local.
- Isso é muito limitado, na medida em que há pouco gás no Nordeste inteiro. Tem-se uma produção pequena em Sergipe e na Bahia, inclusive com um tipo de gás que dificilmente pode ser transportado para o resto do Nordeste. Ele é muito rico em nitrogênio, o que dificulta também a sua utilização no gás veicular. Então tem uma serie de problemas que precisam ser tratados de uma forma muito clara. E nós não podemos admitir conhecer esse assunto através de noticias dispersas de jornal.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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