Presidente e relator querem tempo para investigar
Da Redação | 14/07/2005, 00h00
O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, senador Delcidio Amaral (PT-MS), e o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) afirmaram, em entrevista nesta quinta-feira (14), que precisam de tempo para investigar os documentos encaminhados à comissão e os depoimentos já prestados à CPI. Delcidio acredita que em breve a CPI deverá entrar "em uma nova fase", com menos audiências públicas e mais ênfase na análise de documentos já recebidos.
O senador defendeu a necessidade de que o período que vai de 25 de julho a 6 de agosto seja dedicado à investigação. E para isso os parlamentares precisam de tempo, acredita.
- Agora temos que centrar fogo no que já ouvimos e nos documentos que recebemos - disse Delcidio.
Osmar Serraglio acredita ser "fundamental", agora, para a comissão ter tempo para analisar as informações de que dispõe. Apesar de ainda faltarem muitos documentos já pedidos pela comissão - como todas as quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico de acusados - já há muitos dados para serem analisados, informou o relator.
Entre os documentos de posse da CPI, Osmar Serraglio citou dados sobre a Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), a movimentação bancária das empresas de Marcos Valério, dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), todas as licitações e a execução de contratos feitos pelos Correios nos últimos cinco anos e sobre patrocínios realizados pela estatal.
Delcidio informou que para a próxima semana ficam mantidos os depoimentos já agendados - do ex-secretário-geral do PT Sílvio Pereira e do ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares. O presidente da CPI afirmou ainda que os requerimentos de acareação só poderão ser votados depois que todos os depoentes tiverem sido ouvidos individualmente, para que possa haver checagem de informações e de eventuais incongruências.
Osmar Serraglio informou que a autorização de quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, de Delúbio Soares, de Sílvio Pereira e do ex-presidente do PT José Genoíno já está nas mãos do presidente da CPI. Esses documentos são a confirmação oficial de um fax autorizando a quebra de sigilo, assinado pelos próprios investigados, anteriormente apresentado à comissão pelo senador Sibá Machado (PT-AC).
O relator informou também que a comissão já recebeu mais de 400 requerimentos, tendo votado cerca de 160. Serraglio afirmou que a argumentação da oposição de que a CPI não está tendo acesso aos documentos oficiais "é discurso" e que o desejo de visibilidade de alguns parlamentares muitas vezes dificulta o trabalho investigativo da comissão, uma vez que privilegia as audiências públicas.
O presidente da CPI havia agendado uma reunião para esta manhã com membros do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados - que investiga denúncias do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) sobre pagamento de mensalão - mas o próprio Delcidio acredita que não haverá tempo de realizar essa reunião, que deverá, no entanto ser marcada para nova data.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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