Proibição de contribuição obrigatória para partidos provoca polêmica
Da Redação | 13/07/2005, 00h00
- Precisamos acabar com esse abuso que obriga funcionários públicos a contribuir para partidos políticos. Eles já pagam muitos impostos, e se tiverem que pagar mais uma percentagem do salário para o partido, não vai sobrar nada. Temos que reagir e tomar as decisões corretas - defendeu José Jorge.
O parlamentar lembrou que o Supremo Tribunal Federal já decidiu que o desconto em folha é proibido, mas a proibição, observou, tem que ser estabelecida em lei. José Jorge leu o artigo 171 do Estatuto do Partido dos Trabalhadores (PT), que obriga os filiados que ocupam cargos executivos a contribuírem com percentual sobre o salário líquido, em tabela progressiva.
- É por isso que o PT tem tanto cargo em comissão. Somente no ano passado, o partido arrecadou quase R$ 25 milhões em contribuição de seus filiados - ressaltou.
O relator da matéria, senador Alvaro Dias (PSDB-PR), apresentou parecer favorável ao projeto. Para ele, a contribuição, de forma indireta, transfere recursos públicos para a sustentação financeira dos partidos políticos.
- É uma proposta moralizadora e sem dúvida estabelece a distinção necessária entre partido político e governo. Esse projeto vem num bom momento, em que o Congresso Nacional investiga denúncias de corrupção, que estão atreladas a práticas como essas, numa barganha de favores - afirmou.
Voto
O senador Sibá Machado (PT-AC) apresentou voto em separado, aprovando o projeto desde que acrescentasse uma emenda, de sua autoria, vedando apenas a contribuição mediante desconto em folha de pagamento. Para o parlamentar, está correta a decisão do STF em proibir a contribuição em folha, mas os partidos políticos, segundo ele, devem ter liberdade para decidir como será a relação com seus filiados, desde que respeitados os princípios que não firam a imagem e função do partido.
- A Constituição federal é bastante clara ao atribuir aos partidos políticos a capacidade de auto-organização e seu funcionamento. Cabe a eles instituir a relação a ser criada com todos os seus filiados, desde que respeitados os princípios que não firam a sua imagem e função, a serem desempenhadas no desenvolvimento e aperfeiçoamento da democracia brasileira - explicou Sibá.
Para José Jorge, a emenda não atinge os objetivos propostos pelo seu projeto, que, ressaltou, não trata somente do desconto em folha, mas de proibir a contribuição com base em percentual do salário do funcionário público. Já para Alvaro Dias, que rejeitou, oralmente, a proposta de Sibá, a emenda " impõe um certo constrangimento aos nomeados para cargos públicos".
- Queremos enfatizar a necessidade de se estabelecer mecanismos que permitam ao filiado optar ou não pela doação, porque há desvio de finalidade na contribuição obrigatória. O nosso objetivo é buscar a moralização na contribuição aos partidos políticos - esclareceu.
Diante do impasse, o presidente da CCJ, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), acolheu sugestão dos membros da comissão para adiar a votação do projeto para a primeira semana de agosto.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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