Investigação da corrupção nos Correios suscita reflexões de parlamentares
Da Redação | 13/07/2005, 00h00
Ao analisar a sucessão de indícios de corrupção nos Correios, que desfilam todos os dias na Comissão Parlamentar Mista dos Correios, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) atribuiu esses fatos à descontinuidade administrativa que caracteriza o regime presidencialista no Brasil, que troca todos os cargos relevantes nos ministérios e os de presidente e diretores de estatais, a cada governo que entra.
- É a falta de permanência da burocracia estatal que facilita os motivos políticos espúrios e favorecem a corrupção. Se o sistema vigente nos ministérios e estatais fosse o mesmo que vigora no Itamaraty ou no Banco do Brasil, muitas desses desmandos não aconteceria, como não acontecessem nos regimes parlamentaristas - garantiu.
Para Simon, somente os cargos de primeiro escalão, como ministros de estado, devem ser trocados a cada governo, em obediência à orientação partidária do partido vencedor das urnas.
- Esse sistema do governo do PT de nomear diretores de estatal para que tenham relacionamento estreito com empresas, com vistas a arrecadar fundos para o caixa do partido, não é bom. É isso que estamos vendo nos Correios e que existe, certamente, em outras estatais - afirmou.
Durante o depoimento do ex-presidente dos Correios, Airton Dipp, o senador Jefferson Péres (PDT-AM) relatou que o então ministro das Comunicações, Miro Teixeira, que também é do PDT, lhe pediu para indicar o diretor regional dos Correios.
- Sou contrário à partidarização da burocracia, portanto não quis indicar nomes para preencher cargos. Apresentei proposta para que a Associação dos Servidores da agência regional elegesse seu diretor, e depois tive notícia de que o mais votado provou ser um bom diretor - disse.
Para a deputada Denise Frossard (PPS-RJ), esse sistema de compadrio entre diretores de estatais e empresas privadas para se apropriar de dinheiro público tem um nome que o Judiciário conhece bem: organização criminosa.
- Deve ter havido corrupção semelhante em governos anteriores e não se pode varrer isso para debaixo do tapete. O fato é que o governo do PT foi eleito para acabar com esse estado de coisas e, ao contrário, fez até pior. Queremos investigar tudo e punir, exemplarmente, os responsáveis - ressaltou a deputada.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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