Mercadante hipoteca solidariedade a Ideli

Da Redação | 07/07/2005, 00h00

O líder do governo, senador Aloizio Mercadante (PT-SP), hipotecou nesta quinta-feira (7) "total e irrestrita solidariedade" à sua companheira de partido, Ideli Salvatti (PT-SC), cuja isenção foi questionada pelo deputado e ex-presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ). Em nota lida na CPI dos Correios, Roberto Jefferson afirmou que a senadora Ideli não tem isenção para investigá-lo. Para Mercadante, foi a atitude firme da senadora Ideli que levou o deputado a essa reação.

- Por isso, quero pedir ao presidente do Senado, Renan Calheiros, que chame os líderes para que a gente possa se reunir, como foi acordado na instalação da comissão,sempre que ocorresse algum episódio que merecesse acompanhamento. O ritmo de funcionamento da CPI deve ser repensado porque esse ritmo que está aí pode levar ao estresse - afirmou.

Mercadante pretende que seja feita uma ponderação sobre o andamento dos trabalhos, "com total independência da CPI" , para evitar que a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios sofra as conseqüências de ocasionais destemperos de alguns dos seus integrantes.

O objetivo, disse o senador, é evitar que se repita o que aconteceu com a CPI do Banestado (cujo relatório final não foi lido). Ele considera que deve ser evitado, também, uma polarização que levem os grupos a procurarem um adversário para ser investigado na CPI, ao invés de partir dos fatos para investigar o que acontece.

Mercadante recebeu o apoio do deputado Ney Suassuna (PMDB-PB) que apontou a presença da televisão como um dos fatores que mais tem estimulado o clima de enfrentamento entre os parlamentares. Sérgio Guerra (PSDB-PE) considerou que "não tem a menor relevância as suspeita levantada pelo deputado Roberto Jefferson sobre Ideli". Edison Lobão (PFL-MA) lembrou a punição injusta que sofreu o ex-presidente da Câmara, Ibsen Pinheiro, em conseqüência do paroxismo que atingiu alguns integrantes da CPI do Orçamento.

Arthur Virgílio (PSDB-AM) afirmou que não via qualquer agravo pesando sobre a senadora Ideli, "figura polêmica e hoje bastante apreciada pelos colegas." Rodolfo Tourinho (PFL-BA) chamou a atenção para o momento difícil que o país atravessa e concordou sobre que não há razão para qualquer acusação à senadora. Cristovam Buarque (PT-DF) disse temer que acusações desse tipo contra pessoas que estão acima de suspeita terminem desmoralizando as imputações aos que realmente merecem ser acusados.

Por sua vez, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) responsabilizou os próprios petistas pelo aumento da temperatura da CPI ao levar àquele fórum assuntos que não são próprios da Comissão.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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