Valério pede à filha: não mexa com o governo

Da Redação | 06/07/2005, 00h00

Ao responder questionamento dos deputados Carlos Abicalil (PT-MT) e Gustavo Fruet (PSDB-PR), o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza negou que tenha qualquer envolvimento com envio de dinheiro para o exterior por meio de utilização de contas CC-5, investigadas pela comissão parlamentar mista de inquérito do Banestado. Ele também informou que mantém bom relacionamento com políticos de vários partidos e que suas agências tiveram contratos com prefeituras e até com o governo do Distrito Federal, além do de Minas Gerais. O empresário informou ainda que já fez pagamentos de fornecedores ao exterior e fez um apelo à sua herdeira:

- Não mexa com o governo, minha filha.

Valério, que em seu depoimento à Polícia Federal negou qualquer envolvimento comercial com o PT, foi chamado pelo deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) de "lavanderia ambulante" e que "não tomou multa da Receita Federal de R$ 63 milhões de graça". O deputado também afirmou que o empresário "trafica influência" e o acusou de ter sido beneficiado nos aditamentos e extensão de contratos de empresas do governo como o Banco do Brasil e a Câmara dos Deputados. De acordo com denúncias veiculadas na imprensa, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) reconhece a origem de apenas R$ 337 milhões dos R$ 836 milhões movimentados pelas agências SMP&B e DNA movimentaram nos últimos anos.

- Vamos desmascarar o dono da maior lavanderia do Brasil - afirmou Onyx.

O deputado Gustavo Fruet também afirmou que o depoimento de Valério, a rigor, nada trouxe de novo à CPI e destacou que, após às denúncias, muitos caíram no governo, como diretores dos Correios, do Instituto de Resseguros, de Furnas e até a direção do PT.

- Ou é uma enorme coincidência ou algo grave ainda não foi revelado - destacou.

Roberto Jefferson

A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) apresentou requerimento à CPI dos Correios para que o deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) apresente, em 48 horas, provas de que há recebedores do "mensalão" entre os integrantes da comissão. O deputado, durante o Programa do Jô, veiculado pela Rede Globo na madrugada desta quarta-feira (6), fez esta afirmação. Alem disso, em seu depoimento à CPI na última quinta-feira (30), o parlamentar do PTB afirmou que toda campanha para deputado e senador eleito tem irregularidades na prestação de contas.

- Não podemos permitir que todos os membros da CPI permaneçam sob suspeita - disse Ideli.

Ela recebeu a solidariedade dos deputados Juíza Denise Frossard (PPS-RJ) e José Eduardo Cardozo (PT-SP) e dos senadores Heloísa Helena (PSOL-AL), Jefferson Péres (PDT-AM) e Maguito Vilela (PMDB-GO), que ressaltaram não terem se sentido ofendidos pelas acusações. Maguito disse ainda ser importante mostrar à população que os senadores não foram acusados de receber o "mensalão".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)