"Sou um brasileiro normal", diz Marcos Valério
Da Redação | 06/07/2005, 00h00
Durante o depoimento, Marcos Valério negou ter viajado a Brasília na primeira quinzena de julho de 2004, conforme denúncia do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Segundo Roberto Jefferson, o empresário teria entregado a ele R$ 4 milhões em dinheiro vivo, de acordo com combinação feita com o presidente do PT, José Genoíno.
Mesmo sob a proteção de habeas corpus, que lhe deu o direito de não produzir provas contra si mesmo, Marcos Valério garantiu que "não se furtaria" a colaborar com a CPI e citou diversas empresas com as quais estaria ligado.
De acordo com o relato de Valério, ele ou sua mulher, Renilda, têm participação nas empresas: SMP&B Comunicação; Solimões Comunicação (ex-SMP&B Propaganda); DNA Propaganda; Grafite (ex-Star Alliance); Multi Action (ex-MG5 Participações); 2S Participações (criada por funcionários e depois transferida para ele); JVM (nunca funcionou); Brastelecom/Brastev (encerrada); Presépio (nunca funcionou); Target (transferida para outros), Estratégia (para campanhas políticas) e Tolentino Melo. Para o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), a existência de tantas empresas com um leque tão variado de atuação parece "algo intencional", "algo muito virtual".
Ainda durante o depoimento, Marcos Valério destacou que seria impossível superfaturar qualquer contrato firmado com os Correios. Para isso, segundo ele, empresas como a TV Globo e as revistas Veja e Istoé teriam que ser coniventes. Ele disse que de nenhuma forma foi beneficiado por alterações em editais de licitação, especificamente na última licitação de publicidade que a estatal promoveu, da qual a SMP&B e outras duas empresas saíram vencedoras.
- Na licitação, 55 agências participavam. E a maioria não teria condições de entrar pelo estabelecido no edital original - disse.
Marcos Valério também listou os vários contratos que possui com outros órgãos do governo, como o Ministério dos Esportes, a Câmara dos Deputados, o Banco do Brasil, o Ministério do Trabalho e a Eletronorte. Osmar Serraglio destacou que o movimento dessas empresas é "inusual, destoa da conduta comercial" e apresenta "uma gordura não explicada". Afirmou ainda que a justificativa de que os saques destinavam-se ao "pagamento de fornecedores" seria apenas uma "universalização da informação".
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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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