CPI deverá votar pedido de convocação de Genoino, Delúbio e Silvio Pereira

Da Redação | 06/07/2005, 00h00

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga denúncia de corrupção na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (CPI dos Correios) realiza nesta quinta-feira (7), às 9 horas, reunião administrativa para apreciar vários requerimentos, entre eles os que sugerem as convocações do presidente do PT, José Genoino, do ex-secretário geral, Silvio Pereira, e do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares. Logo em seguida, por volta das 11 horas, será ouvido o depoimento de Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. O depoimento dela foi adiado da quarta-feira (6) para a quinta-feira (7), porque a oitiva de Marcos Valério se ultrapassou às 23 horas, horário em que esta matéria foi finalizada.

Durante as mais de 12 horas em que esteve depondo na CPI, Marcos Valério não ouviu um deputado ou senador dizer que acreditava nas suas palavras. Ao contrário, foram diversas as críticas feitas pelos parlamentares sobre o teor do seu depoimento. O deputado federal Enio Bacci (PDT-RS) chegou a indagar ao empresário se ele concordaria em responder aos questionamentos sob a avaliação de um detector de mentiras. Reticente, Valério condicionou sua aceitação à também concordância do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de se submeter ao aparelho.

Perto do final da reunião, o deputado Geraldo Thadeu (PPS-MG) pediu a palavra para fazer uma declaração à CPI sobre encontro que manteve com Marcos Valério. Instantes antes, havia sido acertado que o parlamentar prestaria seu depoimento na sessão administrativa desta quinta-feira (7). Depois de comunicar que a narração desse encontro havia causado apreensão entre alguns deputados, ele resolveu antecipar sua revelação, e o fez publicamente.

Geraldo Thadeu contou que, quando prefeito de Poços de Caldas (MG), em torno de 1999, Marcos Valério comprou a "Feeling", empresa responsável pelos serviços de publicidade da prefeitura. O deputado revelou que, em uma visita de cortesia à sede de uma das empresas de Valério em Belo Horizonte, na companhia de um integrante do seu secretariado, ouviu de Valério o oferecimento de participar de uma possível campanha de reeleição sua, arrecadando recursos.

- Pelo que entendi, ele iria, através de pessoas e empresas que tinham contrato com a prefeitura, fazer gestões para arrecadar recursos para minha campanha. Não fui candidato à reeleição, não tive mais contato com ele, nem ele nunca arrecadou nenhum recurso para mim - afirmou Geraldo Thadeu, completando que o dinheiro arrecadado provavelmente entraria através de um "caixa 2" mantido pela empresa e dali seria sacado para a campanha.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)