Comissão contesta demarcação da área indígena Raposa-Serra do Sol

Da Redação | 06/07/2005, 00h00

Os três senadores de Roraima são contra a demarcação da área indígena Raposa-Serra do Sol da forma como foi realizada pelo governo federal - uma das principais conseqüências da medida é a exclusão das plantações de arroz dessas terras. Augusto Botelho (PDT), Mozarildo Cavalcanti (PTB) e Wirlande da Luz (PMDB), integrantes da comissão temporária externa criada para avaliar os conflitos decorrentes da demarcação, apresentaram nesta quarta-feira (6) seu relatório final. O presidente da comissão foi o senador Mozarildo.

Segundo o relator, Augusto Botelho, mais da metade dos habitantes da área em questão são contra a saída dos produtores de arroz, já que estes seriam responsáveis por boa parte da geração de empregos no local. O senador do PDT também afirmou que, sem esses produtores, os índios não seriam capazes de manter o cultivo do arroz, pois a composição do solo - que seria muito ácida - exigiria o uso de recursos tecnológicos.

Botelho ressaltou que, na primeira demarcação feita para a área indígena, as terras onde se planta arroz não estavam incluídas. Isso só teria ocorrido em demarcação posterior.

- A atual demarcação prejudica aquele que é o setor mais produtivo de Roraima, responsável pela geração de mil a 1.500 empregos diretos e quatro a cinco mil empregos indiretos - argumentou.

Já Wirlande da Luz frisou que os índios da área Raposa-Serra do Sol sempre tiveram uma convivência pacífica com os outros habitantes da região e que esse convívio "já dura mais de cem anos". Para ele, "os índios não querem ser excluídos da sociedade".

O senador peemedebista afirmou que a demarcação feita pelo governo federal foi influenciada por organizações não-governamentais (ONGs) internacionais, "que manipulam uma pequena parcela do índios do local e têm interesse sobre as reservas minerais, as plantas medicinais e os mananciais de água da região".

Augusto Botelho enfatizou que "ninguém é contra a demarcação em si, e prova disso é que existem outras 32 áreas demarcadas no estado". O relator da comissão acrescentou que não pode ocorrer agora o mesmo que houve com a área indígena de São Marcos, que, após a demarcação, teria sido "abandonada" pelo governo federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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