Capiberibe condena reforma econômica em torno do "déficit zero"
Da Redação | 06/07/2005, 00h00
- As despesas com a rolagem da dívida não seriam atingidas, pois o pagamento dejuros seria preservado - ressaltou Capiberibe.
Sem redução da taxa de juros, políticas de déficit zero significam, segundo o senador, transferir um montante de recursos, inicialmente destinado às despesas públicas, para o bolso dos credores. Déficit zero significa que o país deverá gastar apenas o que arrecada, contabilizados aí todas as despesas, inclusive o pagamento de juros e amortizações da dívida pública.
Numa conjuntura econômica em que o Brasil detém o recorde de taxa real de juros do planeta, o senador disse que propor déficit zero sem tomar medidas imediatas que façam baixar a taxa básica de juros é favorecer apenas segmentos minoritários da sociedade, cuja forma de renda é o juro.
Destacando que a discussão é "apenas econômica, mas a decisão é política", Capiberibe ressaltou que a baixa da taxa básica de juros é necessária e desejada por toda a sociedade, com exceção dos que vivem de emprestar dinheiro.
Dentro deste contexto, o senador defendeu a vinculação das despesas sociais. Segundo ele, a vinculação pode parecer uma aberração econômica, mas em um país campeão de concentração de renda, essa medida foi importante:
- Ela melhorou a situação das camadas mais pobres do país, ampliou as oportunidades dos excluídos de alcançarem a escola e, ainda que de forma insuficiente, estendeu as ações de saúde pública.
Reforma do Estado
Capiberibe considerou o "grave momento de crise política que o Brasil atravessa" como uma oportunidade para que o país rediscuta temas essenciais como a reforma do Estado, de modo a profissionalizá-lo e a equipá-lo. Ao mesmo tempo, acrescentou, deve-se procurar viabilizar a possibilidade da imediata sanção aos que incorrerem em qualquer tipo de desvio de conduta ao gerir a coisa pública.
A transparências das contas públicas, utilizando-se para isso os instrumentos de informática, é outro item valorizado por Capiberibe. Esses instrumentos, disse ele, poderão vir a se tornar "os mais democráticos dos meios de comunicação".
Os senadores Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) se solidarizaram com o líder do PSB.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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