Alberto Silva defende criação de empresa para lidar com o biodiesel

Da Redação | 05/07/2005, 00h00

Assim como a Petrobras lida com o petróleo, seus derivados e toda a cadeia produtiva daí advinda, o mesmo poderia ocorrer com uma empresa voltada exclusivamente ao biodiesel - combustível que pode ser produzido a partir de óleos vegetais como soja, mamona, dendê e babaçu. A proposta foi apresentada nesta terça-feira (5) pelo senador Alberto Silva (PMDB-PI).

- Podemos exportar bilhões de litros de biodiesel, inclusive porque o Protocolo de Kyoto [acordo internacional que visa reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa] garante ao país um grande mercado consumidor no exterior. O mundo precisa de combustível renovável, e o Brasil pode oferecê-lo em grande escala. Mas, hoje, infelizmente, o projeto do biodiesel está sem dono - declarou o senador.

Esse potencial exportador, segundo ele, deve ser resultado de uma cadeia produtiva que privilegie o pequeno agricultor, e não os grandes usineiros. Ele explicou que a empresa a ser criada seria responsável pela geração de emprego e renda no campo, pelo treinamento dos trabalhadores e, possivelmente, pelo gerenciamento das usinas de beneficiamento e produção do combustível.

- Se, por exemplo, para produzir biodiesel, utilizarmos 20% de um total de 10 milhões de toneladas de soja exportada, teremos, então, dois bilhões de litros do combustível para vender ao exterior. Isso seria possível em três anos. E, devido ao valor agregado, resultaria em muito mais dinheiro do que o obtido com a venda de grãos - argumentou.

Para Alberto Silva, ao viabilizar essa cadeia produtiva, a nova empresa também permitiria a fixação do homem no campo. Ele disse que haveria, dessa forma, uma alternativa à ação do Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária (Incra).

- A atuação do Incra não é satisfatória. Os agricultores assentados por esse órgão não contam com um programa ou um projeto que lhes permita obter uma renda aceitável. Mas, com uma entidade dedicada exclusivamente ao biodiesel, é possível gerar milhões de empregos no campo - disse Alberto Silva.

O parlamentar afirmou que, com um terreno de três hectares onde se plante mamona e feijão, o lavrador pode obter uma renda entre R$ 700 e R$ 800 reais por mês. Além disso, ele voltou a ressaltar que, no caso da mamona, os pequenos agricultores devem formar associações e, por meio destas, montar suas próprias usinas.

- Poderíamos ter, assim, uma usina para cada cinco mil lavradores. Com vinte usinas, então, já teríamos 100 mil agricultores empregados. É possível produzir 10 bilhões de litros de biodiesel somente a partir da mamona, empregando entre dois e três milhões de pessoas - afirmou.

Outra sugestão do senador é que a nova empresa, para se desenvolver, seja financiada pelos futuros compradores de biodiesel.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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