Saques de Valério coincidiram com votações importantes, diz Agripino

Da Redação | 04/07/2005, 00h00

O senador José Agripino (PFL-RN) apresentou, nesta segunda-feira (4), dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), reunidos por jornalistas da Agência Reuters e da Central Brasileira de Notícias (CBN), que mostram a realização de saques vultosos nas contas da DNA e da SMP&B Propaganda, empresas do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, em períodos coincidentes com recentes votações importantes na Câmara dos Deputados.

Agripino citou três exemplos. Segundo ele, nos dias que antecederam e sucederam a votação do salário mínimo (que o governo conseguiu baixar de R$ 275,00 para R$ 260,00), em junho de 2004, foram sacados das empresas de Valério R$ 700 mil. Dois dias antes da votação da medida provisória que concedeu ao presidente do Banco Central, Henrique Meireles, status de ministro, em dezembro de 2004, o Coaf registrou saque de R$ 480 mil. Já na semana em que foi votada a Reforma Tributária, os saques nas contas das empresas do publicitário, segundo Agripino, somaram R$ 1.212 mil.

O senador disse acreditar que esses dados devem servir à CPI dos Correios como uma espécie de "mapa da mina". Marcos Valério, que detém a conta de publicidade dessa empresa estatal, é apontado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) como sendo o operador do mensalão.

- Essa CPI tem que produzir resultados. O que a sociedade brasileira não vai aceitar é a impunidade. Só o que eles precisam fazer é juntar as peças. Todos os indícios são de que há mensalão aí - disse José Agripino.

O senador também comentou reportagem publicada no fim-de-semana pela revista Veja, segundo a qual Marcos Valério negociou e avalizou, em 2003, um empréstimo de R$ 2,4 milhões para o PT junto ao BMG, com a aprovação do presidente do partido, José Genoíno. O publicitário teria, inclusive, segundo a revista, bancado uma parcela de R$ 350 mil.  

- Quando questionado, Genoíno disse que não tinha aprovado empréstimo nenhum. Depois, voltou atrás. Ou ele é um alienado completo, ou é um caloteiro. O brasileiro tem todo o direito de, daqui para frente, não acreditar em nada do que ele tenha dito ou venha a dizer - afirmou José Agipino.

Diante dos fatos, o parlamentar afirmou considerar fundamental que a CPI dos Correios ouça, o quanto antes, personagens como o tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o secretário-geral do partido, Sílvio Pereira. Disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve desculpas à nação.

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Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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