Augusto Botelho critica demarcação da Raposa/Serra do Sol
Da Redação | 04/07/2005, 00h00
- A equivocada decisão presidencial não levou em conta os aspectos estratégicos que envolvem a delicada e sensível fronteira brasileira-venezuelana-güianense, nem tão pouco as peculiaridades muito especiais dos povos que, isolados, nela irão viver, assim como as sérias limitações que se impôs ao desenvolvimento do Estado de Roraima - disse o senador, baseando-se nas palavras do general Lessa.
O parlamentar discordou da forma como foi feita a demarcação, salientando que ela "atenta contra o seu objetivo maior, que é alcançar a paz entre os índios e os não índios". Com a demarcação em área contínua, argumentou o senador, a maioria expressiva dos habitantes da região, os povos Macuxi e Wapixana, vai sofrer sério retrocesso em seus processos de integração étnica, cultural e econômica com a sociedade de não índios.
Augusto Botelho disse acreditar que o presidente Lula foi muito mal assessorado nesse episódio e atribuiu tal decisão às pressões que ele teria recebido do movimento indigenista internacional, "encrostados na Funai (Fundação Nacional do Índio) e na igreja católica".
Em aparte, os senadores Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) e Wirlande da Luz (PMDB-RR) registraram que uma comissão externa da Casa havia preparado um relatório com todas as informações sobre o assunto, sugerindo ao presidente decisão em sentido contrário a que tomou.
- Eu não acho que o presidente Lula tenha agido inocentemente nem tenha sido mal assessorado, nós demos a ele todas as informações para que agisse corretamente - avaliou Mozarildo, que foi o presidente da comissão.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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