Arthur Virgílio: sociedade exige investigação das atividades de Marcos Valério
Da Redação | 30/06/2005, 00h00
O senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) afirmou, em discurso nesta quinta-feira (30), que a opinião pública exige que a Câmara dos Deputados investigue as atividades do publicitário Marcos Valério, acusado de ser o principal operador do mensalão. Segundo o parlamentar, a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Mensalão na Câmara dos Deputados está enfrentando um processo "desmoralizante", já que os primeiros signatários do pedido de apuração das denúncias são os deputados Sandro Mabel (PL-GO) e José Janene (PP-PR), acusados pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de envolvimento no esquema de pagamento de mesadas.
- Eles são acusados diretamente e, portanto, colocados sob suspeição nesse processo. É uma ingenuidade de alguns setores da Câmara, que imaginam ser possível controlar qualquer CPI. Se o presidente dessa comissão for o senhor Mabel e o relator o senhor Janene, ainda assim a opinião pública vai cobrar a apuração cabal de todas as denúncias ligadas a esse episódio vergonhoso que é o mensalão - afirmou Arthur Virgílio.
Para o senador, por trás da fragilidade que o governo tem demonstrado, está o autoritarismo. Para exemplificar, ele leu, na tribuna, matéria publicada pela revista Imprensa na qual o jornalista Boris Casoy, âncora da TV Record, afirma que a emissora foi pressionada pelo governo Lula a demiti-lo por conta de suas matérias e de seus comentários.
- O jornalista Boris Casoy merece ser elogiado por conseguir manter no ar um jornalismo que é exemplo de isenção e seriedade - comentou Arthur Virgílio, ao lembrar ainda que o âncora afirmou, na entrevista, que jamais havia sido pressionado por governos anteriores.
Na opinião do parlamentar, se o governo não for capaz de explicar as denúncias de corrupção à opinião pública, terá problemas cada vez maiores com a governabilidade.
- O que cabe é apurar os fatos, e se tem, em qualquer quadrante, alguém usufruindo de dinheiro público, é preciso apontá-lo à opinião pública e à Justiça para que seja punido - ressaltou.
Em aparte, o senador Heráclito Fortes (PFL-PI) afirmou que a nação está "estarrecida" e que virou prática do atual governo mirar-se em "possíveis exemplos" do governo passado.
- O que está em questão é a quebra de compromisso assumido, em praça pública, pelo atual governo. Se a corrupção vem do governo passado, por que o governo Lula não as apurou quando tomou posse? Se é verdade que o publicitário Marcos Valério já atuava no governo passado, por que o atual governo o continua contratando? Em momento algum do governo Fernando Henrique Cardoso presenciamos qualquer tipo de mensalão ou início de corrupção que não tivesse sido apurado - argumentou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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