Advogados ameaçaram abandonar Marinho se ele não dissesse a verdade

Da Redação | 22/06/2005, 00h00

Durante o depoimento do ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) Maurício Marinho à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito dos Correios, nesta quarta-feira (22),  os advogados do funcionário ameaçaram abandoná-lo no meio de sua fala porque, segundo eles, Marinho não estaria dizendo a verdade.

Quem informou os parlamentares sobre a decisão dos advogados foi a senadora  Heloísa Helena (PSOL-AL). Após a senadora relatar a intenção dos advogados, houve mudança na postura de Marinho, que pediu proteção à sua família para conseguir fazer as denúncias.

- Se é para falar dos problemas, vamos falar. Mas, pelo amor de Deus, peço segurança à minha família. Tenho dois filhos e neto e fui seguido mais de uma vez - revelou.

Diante desse fato, o vice-presidente da comissão, senador Maguito Vilela (PMDB-GO), que presidia a reunião, decidiu suspender os trabalhos por cinco minutos. Após conversa com os advogados Ricardo Baitelo, Sebastião Coelho da Silva e Yara Daher com o depoente, Marinho sugeriu um roteiro de investigação para a CPI. Nesse momento, ele insinuou a influência do secretário-geral do PT, Silvio Pereira, e até do secretário de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica, Luiz Gushiken, na formalização de contratos da estatal.

Os advogados decidiram, por fim, permanecer com Marinho, e envolveram-se até em uma discussão sobre a necessidade de se colocarem ao lado do funcionário dos Correios durante o depoimento, o que foi sugerido pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). O presidente da comissão, senador Delcidio Amaral (PT-MS), atendeu à solicitação.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)