Paim diz que fim da escravidão pouco mudou no país

Da Redação | 13/05/2005, 00h00

O senador Paulo Paim (PT-RS), autor do requerimento para a realização da audiência pública sobre questões raciais, afirmou, nesta sexta-feira (13) que, passados 117 anos do fim da escravidão no Brasil, muito pouco mudou no país.

- É claro que algumas mudanças aconteceram, graças a homens e mulheres negras que ergueram suas vozes contra o sofrimento que lhes era imposto, mas nós ainda esperamos e lutamos pelo fim dos preconceitos - afirmou.

Presidente da Subcomissão Permanente da Igualdade Racial e Inclusão do Senado, Paim lembrou também que a partir daConstituição Federal de 1988, o racismo passou a ser considerado crime inafiançável. A audiência pública neste 13 de maio é, para Paim, o momento de se refletir sobre esta caminhada de luta, "questionar o presente e avançar para o futuro de igualdade".

Paim lembrou ainda da luta de Zumbi dos Palmares, fundador do Quilombo de Palmares, reduto da resistência dos escravos que fugiam das fazendas. A data da morte de Zumbi, 20 de novembro, é, segundo Paim, conhecida como Dia da Igualdade Racial.

- Estaremos todos na Marcha Zumbi + 10, que aconteceráem Brasília no mês de novembro. Seremos milhares nesta marcha - afirmou.

Foi a coragem do movimento negro, no entender de Paim,que levou à elaboração do projeto de lei que institui o Estatuto da Igualdade Racial, "nossa verdadeira carta de alforria não alcançada em 13 de maio de 1888".

- Este ano de 2005, conforme decreto do presidente Lula (Luiz Inácio Lula da Silva), é o ano da Igualdade Racial e entrará para a história, de fato, como o ano da igualdade, se o estatuto for aprovado e sancionado pelo presidente - ressaltou.

Paim citou ainda os nomes de várias pessoas que sofreram discriminação racial ou que lutaram contra ela. Um deles foi o jogador de futebol Grafite, insultado devido à cor da pele pelo colega argentino Leandro Desábato, no último dia 13 de abril, durante o jogo entre o São Paulo e o Quilmes, da Argentina.

Paim fez um agradecimento especial ao presidente do Senado, Renan Calheiros e ao vice-presidente Tião Viana, "que não mediram esforços para que a solenidadeacontecesse".

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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