Edna Rolan quer recursos orçamentários para afrodescendentes

Da Redação | 13/05/2005, 00h00

Durante a audiência pública para discutir as questões raciais, realizada no Plenário do Senado nesta sexta-feira (13), a representante do Brasil na Conferência Internacional contra o Racismo, realizada em Durban, na África do Sul, no ano passado, Edna Roland, chamou a atenção para a importância de o Legislativo aprovar a liberação de recursos para enfrentar as discriminações enfrentadas pela população negra ao longo dos séculos. Segundo ela, o Congresso Nacional precisa aprovar a destinação de recursos para compensar as vítimas da escravidão e do tráfico de escravos, que hoje somam 80 milhões de afrodescendentes no Brasil.

- O ministro Palocci que me perdoe, mas não há como redistribuir renda no Brasil, sem mudar o status quo financeiro de várias camadas da população do país. Será preciso onerar o Tesouro Público, alocando recursos amplos para o Fundo Nacional de Igualdade Racial, previsto no Estatuto correspondente que tramita no Congresso Nacional neste momento - argumentou, referindo-se ao Estatuto da Igualdade Racial.

Para Edna Roland, os 400 anos de sistema escravista no Brasil exigem que o Congresso Nacional apresente um pedido formal de desculpas às vítimas da escravidão pelas "conseqüências funestas" que persistem até os dias de hoje, na forma de pobreza, marginalidade e violação de direitos humanos dos afrosdescendentes, como fez questão de destacar.

Edna Roland propôs, ainda, que seja construído, no país, um memorial contra a escravidão e o tráfico de escravos - sistema que, em sua opinião,  penalizou tantos milhões durante mais de quatro séculos. Se a Segunda Guerra Mundial, que durou apenas quatro anos, tem monumentos comemorativos em vários lugares no Brasil, com muito mais razão é preciso construir um monumento contra o sistema escravagista - ressaltou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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