Cristovam diz que escravidão hoje é desemprego e analfabetismo

Da Redação | 13/05/2005, 00h00

O senador Cristovam Buarque (PT-DF) afirmou nesta sexta-feira (13), durante audiência pública realizada pela Subcomissão de Igualdade Racial para debater questões raciais, que a luta pela abolição ainda está incompleta Os escravos foram retirados das senzalas e atirados ao desemprego nas ruas, lembrou o senador. Para ele, o desafio dos brasileiros hoje é "completar a libertação da pobreza e do analfabetismo".

Da mesma forma que aconteceu no século 19, quando houve a luta pela liberdade dos escravos, o movimento pela nova abolição, na opinião de Cristovam, terá que vir das ruas. Esse movimento, disse o senador, terá que levar o Congresso e o governo a elaborar orçamentos públicos que favoreçam a educação e o emprego.

O senador petista lembrou que, quando se aprovam orçamentos públicos no Brasil, os recursos dos municípios, dos estados e da União são destinados a criar privilégios e não a dar resposta às necessidades do povo. Ele não acha que este seja um momento para comemorar e desafiou cada um dos presentes a participarem do que chamou de novo abolicionismo da luta contra o analfabetismo e o desemprego. No Congresso, essa luta se refletiria também, no entender de Cristovam, na votação do Orçamento da União.

- A nova Lei do Ventre Livre será escola de qualidade para todas as crianças, creches de zero a seis anos de idade. Esse ainda é um direito de uma minoria no Brasil que precisa ser conquistado pela maioria - ressaltou.

Cristovam rememorou ainda crendices populares cheias de preconceitos, ao lembrar que, no século 19, alguns cristãos brancos diziam que os negros não eram filhos de Adão e Eva e, por isso, não poderiam obter a liberdade e os mesmos direitos dos senhores brancos. Ele ressaltou que naquela época muitos defensores da escravidão não consideravam os negros seres humanos.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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