Arthur Virgílio critica "terceiro-mundismo" da Cúpula América do Sul-Países Árabes

Da Redação | 11/05/2005, 00h00

Segundo o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), os resultados da Cúpula América do Sul-Países Árabes foram, "no mínimo, discutíveis". Ele afirmou, nesta quarta-feira (11), que "a idéia era boa e relevante", mas que, "em vez de ampliar o espectro das relações internacionais do país, conforme ocorria no governo anterior, o que houve foi a proposição de uma política terceiro-mundista, medíocre e canhestra, que visa unir os pobres contra os ricos, condenando os primeiros à pobreza eterna".

- Em vez de crescer diplomaticamente, o Brasil acabou por criar um contencioso com Estados Unidos, Israel e Inglaterra - disse.

A declaração conjunta da cúpula, chamada de Carta de Brasília, expressa "profunda preocupação com as sanções unilaterais impostas à Síria pelo governo dos Estados Unidos", e afirma que tal atitude "viola princípios do Direito Internacional e constitui uma transgressão dos objetivos e princípios das Nações Unidas, na medida em que estabelecem um grave precedente nas relações entre Estados independentes".

O documento também defende a criação de um Estado palestino independente, com base nas fronteiras existentes em 1967, e a retirada de Israel de todos os territórios árabes ocupados desde aquele ano, além da retirada dos assentamentos israelenses dessas áreas. Quanto à Inglaterra, a declaração pede que os governos desse país e da Argentina voltem a negociar "uma solução justa, pacífica e duradoura para a controversa soberania" das Ilhas Malvinas.

Arthur Virgílio lembrou ainda que o governo federal vetou a presença de um observador norte-americano no evento, fato que considerou "uma indelicadeza". Também afirmou que, devido ao "descontrole da diplomacia brasileira", permitiu-se que a cúpula se tornasse um "palanque anti-Israel e anti-Estados Unidos".

Terrorismo e democracia

Para o senador, "não foi suficientemente firme a condenação ao terrorismo" presente na Carta de Brasília. Ele acredita que os meios de comunicação poderão interpretar isso como uma forma de condescendência com os grupos extremistas islâmicos Hezbollah e Hamas.

Outra falha da cúpula, segundo Arthur Virgílio, foi a falta de ênfase na defesa da democracia.

- Alguns dos próceres presentes à reunião exigiram que se relativizasse o apoio à democracia. Mas é nossa obrigação, em qualquer foro, assumir o compromisso com o regime democrático, como valor universal e inarredável - ressaltou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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