Suplicy lembra vítimas de acidentes e doenças de trabalho
Da Redação | 28/04/2005, 00h00
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) prestou uma homenagem, nesta quinta-feira (28), às vítimas de acidentes e doenças de trabalho. Ele lembrou que, no dia 28 de abril de 1969, uma explosão na mina de Farmington, no estado de West Virginia, Estados Unidos, matou 28 trabalhadores. Desde então, a data passou a ser lembrada pela classe trabalhadora como um dia de clamor por condições favoráveis e seguras no exercício de suas funções. Em 2000, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) determinou que o 28 de abril ficaria marcado como Dia Internacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho.
Suplicy considera a questão dos acidentes e das doenças de trabalho um tema de ordem política e social, que deve ser permanentemente trazido ao debate nacional. Ele frisou que o maior ativo de uma organização é a capacidade de trabalho de seus funcionários.
- A saúde do trabalhador e a saúde ocupacional são pré-requisitos essenciais para a produtividade e de máxima importância para o desenvolvimento socioeconômico sustentável. A saúde física, emocional e mental é a ferramenta essencial ao pleno exercício de qualquer profissão - afirmou ele.
O senador citou dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) que mostram que acontecem no mundo mais de 250 milhões de ocorrências, entre acidentes e doenças funcionais adquiridas, que levam ao óbito cerca de 1,3 milhões de pessoas, mais do que matam as guerras, a violência urbana e as epidemias por doenças.
Suplicy lembrou que o trabalhador brasileiro mais humilde, por temor do desemprego, ou mesmo por ignorância, não exige seus direitos como deveria, e se submete, muitas vezes, a condições ultrajantes de trabalho, jornadas excessivas e ininterruptas, falta de equipamentos e procedimentos de segurança, atividades repetitivas e desgastantes e exposição a agentes danosos à saúde. Além disso, completou ele, há fatores de risco indiretos, como baixos salários e o medo do desemprego, que geram tensão emocional, causa de freqüentes acidentes.
- No Brasil, as relações e as condições de trabalho pouco têm favorecido a preservação e a promoção da saúde. Cotidianamente, os trabalhadores são desrespeitados em seus limites físicos e psíquicos e, por conseguinte, os acidentes e doenças laborais continuam causando vítimas, incapacitando e mutilando milhares de homens e mulheres - frisou.
O parlamentar destacou ainda que os acidentes e doenças de trabalho são fortes fatores de exclusão social, na medida em que causam mortes e invalidez parcial ou permanente, precipitando aposentadorias precoces, com a redução ou perda de renda. Muitos trabalhadores acabam recorrendo ao mercado informal ou a pensões do governo, o que gera um alto custo social ao país, equivalente a R$ 23,6 bilhões ao ano ( 2,2% do PIB).
- Promover a saúde ocupacional é uma importante estratégia do governo, não somente para garantir o bem-estar dos trabalhadores, mas também para contribuir positivamente para sua produtividade, motivação e satisfação e, portanto, para a melhoria geral da qualidade de vida dos indivíduos e da sociedade como um todo - concluiu o senador.
Biblioteca indígena
O senador Eduardo Suplicy também leu o ofício que está encaminhando ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, sobre uma biblioteca da aldeia indígena Barra Velha, em Porto Seguro, na Bahia, que está desativada há dois anos, devido a um incêndio. No ofício, Suplicy solicita que o ministro tome providências para reconstruir e reativar a biblioteca.
Em aparte, Rodolpho Tourinho (PFL-BA) agradeceu a atenção, em nome dos senadores baianos, que também assinaram o ofício.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
MAIS NOTÍCIAS SOBRE: