Senador vitalício é assunto encerrado, diz Arthur Virgílio

Da Redação | 19/04/2005, 00h00

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) afirmou, nesta terça-feira (19), que não vai reapresentar a proposta que cria o cargo de senador vitalício para os ex-presidentes da República. Segundo ele, não existe ainda o consenso necessário e a idéia "precisaria de maturação".

O parlamentar amazonense lançou a sugestão, através de uma proposta de emenda constitucional (PEC), em 1995. Há alguns dias ele foi procurado pelo senador Aloísio Mercadante (PT-SP), que lhe sugeriu que a proposta fosse reapresentada. A matéria no entanto causou intensa polêmica. 

-      Talvez não seja mesmo a hora. Não posso tocar para frente essa discussão, com argumentos tão acalorados, tanto contra quanto a favor. Essa proposta foi feita para unir. De minha parte, esse assunto está encerrado - declarou.

No entanto, Arthur Virgílio insiste que a experiência dos ex-presidentes da República não pode ser desperdiçada.

- Não podemos jogar fora o aprendizado duramente curtido de quem se alçou ao patamar mais elevado, para dali visualizar a questão nacional. Eu me pergunto quanto o país teria a lucrar com a experiência que eles trariam para o debate político - disse.

Ele lembrou que alguns países, como a Itália, a França, o Uruguai e os Estados Unidos, já reconheceram a importância de seus ex-presidentes. 

Dia do Índio

O parlamentar também afirmou, em referência à passagem do Dia do Índio, que "está faltando governo" no setor indígena no Brasil. Ele criticou um suposto descaso do Ministério da Saúde diante da morte de 19 crianças índias por desnutrição. O fato levou o parlamentar a apresentar um Voto de Tristeza.

- Se, infelizmente, não há o que comemorar, há motivos de sobra para lamentos. Relegadas pelo governo a um estado de abandono, as populações indígenas sofrem a dor da morte no Mato Grosso do Sul. Enquanto isso, o ministro da Saúde diz que as estatísticas são assim mesmo, que as mortes estão dentro da média - disse.

Em aparte, o senador José Agripino (PFL-RN) lembrou que o Ministério da Saúde assumiu o compromisso de reduzir em 85% a mortalidade infantil entre os índios até 2007. Já para o senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), a crise atual existe porque o governo entregou a responsabilidade sobre a saúde dos índios às Organizações Não-Governamentais (ONGs) que atuam no setor.

Manifestação

Arthur Virgílio criticou ainda a repressão policial a uma manifestação de mulheres de militares, numa solenidade pelo Dia do Exército, em Brasília, na qual estava presente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- A repressão a civis, sobretudo a mulheres, não é o que se espera da democracia brasileira - protestou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: