PM acusa MST e secretário de segurança de perseguição política
Da Redação | 18/04/2005, 00h00
O tenente-coronel da Polícia Militar Valdir Copetti Neves disse, nessa segunda-feira (18), que está na prisão devido à "perseguição política do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari". A afirmação foi feita em depoimento prestado em Curitiba, a integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Terra (CPMI da Terra), sob a presidência do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Copetti Neves foi aprisionado sob a acusação de comandar uma milícia armada a serviço de fazendeiros no Paraná. Ele também é acusado de tráfico internacional de armas.
- Estou preso porque sou defensor do direito de propriedade, que está 'fincado' na Constituição Federal. Sou a favor daqueles que compram e pagam, e não daqueles que tomam. Não sou contra o MST, mas contra a liderança criminosa desse movimento - declarou o policial militar.
Ao declarar perante a comissão, Copetti Neves deixou de responder a muitas das indagações dos parlamentares, invocando seu direito de permanecer calado. Uma das questões que ele deixou sem resposta foi a indagação do relator da CPI, o deputado federal João Alfredo (PT-CE) se o acusado havia participado, em 1998, da ação de reintegração de posse da Fazenda Santa Gertrudes, no interior do Paraná. O deputado leu durante a sessão um relato dessa ação - que seria de autoria de um soldado da PM que a filmou -, denunciando a violência dos policiais. Segundo a advogada Luciana Furquim Pivato, da organização civil Terra de Direito, o soldado entrou para o programa de proteção a testemunhas do governo e teve de sair do estado.
João Alfredo também afirmou que há evidências de envolvimento do Grupo Águia, da PM paranaense, com a atuação de milícias armadas contratadas por fazendeiros ligados à União Democrática Ruralista (UDR). O foco da ação dessas milícias seria a região próxima ao município de Ponta Grossa.
Já o deputado federal Abelardo Lupion (PFL-PR) defendeu o Grupo Águia e o tenente-coronel, destacando que Valdir Copetti "recebeu todas as condecorações possíveis".
- A PM do Paraná é, indiscutivelmente, a melhor do país. O tenente-coronel deve ter orgulho de pertencer ao Grupo Águia, cujos membros arriscam a própria vida para manter a segurança dos cidadãos - disse Lupion.
Valdir Copetti também afirmou ser "um estudioso do combate ao crime organizado". Ele apresentou à comissão algumas pesquisas que realizou, incluindo uma monografia sobre as ações do MST, escrita no período em estudou na Escola Superior de Guerra. O tenente-coronel acusou o secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, de realizar gravações eletrônicas ilegais. Também acusou o secretário estadual de Trabalho, Emprego e Promoção Social, Roque Zimmerman, de desviar recursos para o MST.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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