Para Garibaldi Alves, será difícil escolher o sucessor de João Paulo II
Da Redação | 08/04/2005, 00h00
Lembrando que, desde as 5h desta sexta-feira (8), o mundo acompanha o enterro do papa João Paulo II, o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) o reverenciou em Plenário, definindo-o como "grande homem, ao mesmo tempo, santo e estadista, apóstolo de Cristo e servo da paz". E previu que, diante da magnitude desse pontificado, não será fácil escolher quem vai sucedê-lo.
Na opinião do parlamentar, melhor nome não poderia ter sido escolhido quando o Vaticano colocou Karol Wojtyla na condução da Igreja Católica. No seu entender, João Paulo II guardava a doçura e o amor às artes de São João, assim como a obstinação e a fé ilimitada de São Paulo. Mas, como ser humano, tinha também contradições.
- Contraditório porque complexo, como todos os grandes homens da humanidade o foram, grande guia intelectual e espiritual dos nossos tempos, reverencio-o na esperança de que a Igreja Católica possa realizar com serenidade, e iluminada pelos desígnios divinos, a sua escolha para sucedê-lo - afirmou.
Nesse discurso, Garibaldi Alves traçou um breve perfil de Karol Wojtyla, dizendo que ele nasceu em um país arraigadamente católico, tendo presenciado a liberdade e a religiosidade do seu povo serem esmagados pelos totalitarismos de direita - o Nazismo - e de esquerda - o Comunismo, "se é que se pode descrever um regime totalitário como de esquerda".
Lembrando a perda precoce dos familiares desse polonês, disse que Wojtyla deixou de ter uma família para abraçar toda a humanidade, "perseguindo o ideário de Cristo". O senador também mencionou o fato de que, quando criança, ao ser repreendido por uma senhora por estar brincando com um judeu, Wojtyla retrucou: "não somos todos filhos de Deus?". Na opinião de Garibaldi, nessa atitude, ele antecipou a postura de líder religioso, que pregava a união de todas as religiões.
Garibaldi também lembrou o encontro do Papa com o então presidente José Sarney, quando João Paulo II fez um apelo para a execução da reforma agrária no Brasil. No seu entender, nesse apelo o Papa revelou-se um conhecedor dos problemas do mundo, assim como do fato de que a democracia só será consolidada quando todos os cidadãos forem retirados da condição degradante da miséria.
- Que João de Deus, como nós carinhosamente o chamávamos, nos ilumine, nós, que somos a maior nação católica do mundo, a superar as nossas adversidades e a abolir práticas e realidades sócio-econômicas degradantes que se contrapõem aos ensinamentos cristãos - disse o senador.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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