Enterro do papa une pobres e ricos, diz Simon
Da Redação | 08/04/2005, 00h00
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) classificou nesta sexta-feira (8) o enterro do papa João Paulo II como a "mais fantástica manifestação popular dos últimos tempos" e conclamou as autoridades mundiais presentes à cerimônia a atuarem conjuntamente para a melhoria das condições de vida no planeta, a partir dos ensinamentos deixados pelo polonês Karol Wojtyla.
Simon também elogiou o gesto do presidente Luis Inácio Lula da Silva ter ido a Roma para o enterro do sumo pontífice na companhia de representantes de outras religiões e de dois ex-presidentes da República, o senador José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Henrique Cardoso.
- O que me chamou a atenção foi o grande número de jovens e a reunião de tantas autoridades jamais vista na história moderna da humanidade. Nem na ONU se viu manifestação tão intensa, com a presença de autoridades de tantos países, alguns com relações adversas e de diferentes crenças religiosas, como o americano milionário, a Cuba comunista, o Brasil democrático, Israel, os africanos com seus ritos diferentes e até a China com seus 5 mil anos de tradição, muito mais que o cristianismo - disse o senador.
Para Simon, os representantes dos diversos países presentes aos funerais de João Paulo II deveriam manter a postura fraternal após a cerimônia e perseverar na solução dos conflitos bélicos entre os povos. Ele lembrou que o Papa teve a capacidade de pedir perdão e reconhecer os grandes erros do passado. O senador afirmou que os gastos em guerra das grandes nações superam atualmente os investimentos desses países em alimentação, saúde e pesquisa científica.
- Devemos partilhar para que a humanidade vá adiante, para que o terceiro milênio seja o milênio da paz. O que se viu ali foi o entendimento e a fraternidade ao lado do Papa morto. Em vez de voltar ao seus países, os chefes de Estado deveriam ficar mais dois dias em Roma, na tentativa de elaborar um documento singelo sobre o que nos une. Vamos esquecer as questões que nos separam e pôr no papel as questões em que nós somamos. É uma crueldade as crianças morrendo diariamente de fome, o alimento apodrecendo no Brasil, as nações gastando tanto para fazer a guerra - disse o senador.
Simon disse que a viagem que o presidente Lula fará à África após os funerais do papa servirá para aproximar o Brasil e os países daquele continente. Para ele, o presidente deveria liderar um movimento mundial em que as grandes nações se comprometessem a criar um fundo para salvar os milhões de pessoas que morrem de fome e dormem na rua.
- Ele tem credibilidade internacional e o apoio do povo brasileiro para isso - afirmou Simon.
Em aparte, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) disse que o gesto mais importante de autoria do papa João Paulo II foi ter pedido perdão pelos excessos cometidos pela Igreja Católica ao longo da história.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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