Ideli critica privatização da Vale do Rio Doce
Da Redação | 06/04/2005, 00h00
A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) pediu que fossem registrados nos Anais da Casa o artigo "Que vivam bastante", do jornalista Mauro Santayana, publicado no jornal Correio Braziliense do último dia 31. No artigo, lido por ela em plenário, o jornalista expressa seu desejo de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seus ministros e conselheiros "tenham vida longa", para que possam prestar contas sobre o prejuízo que causaram ao patrimônio nacional, pela submissão aos interesses estrangeiros.
O articulista referiu-se especificamente à privatização da Companhia Vale do Rio Doce, ocorrida em 1997. Segundo ele, a Vale obteve de lucro no ano passado R$ 6,46 bilhões, ou seja, duas vezes o valor que o Tesouro recebeu por sua privatização. Ideli lembrou que, na época, o preço foi estimado em R$ 10 bilhões pelos avaliadores - um valor ínfimo se comparado ao valor de suas jazidas, que seria incalculável.
Ainda no artigo, Santayana lembra que se usou a dívida externa como justificativa para as privatizações. No entanto, mesmo com o dinheiro arrecadado, a dívida total decuplicou durante os oito anos de Fernando Henrique Cardoso.
O jornalista afirma ainda que a Vale tem sido um importante agente do desenvolvimento econômico, social e cultural nas regiões em que atua. A empresa emprega grande parte de seus lucros na promoção da saúde, da educação, da cultura e das atividades produtivas em vastas áreas do país. A informação de que sua venda seria necessária para equilibrar as contas do Tesouro, para o jornalista, não procede.
- Essa empresa era nossa, era nosso patrimônio. Nós nem temos a medida exata de todo seu potencial econômico, de tudo o que ela poderia gerar de benefícios para o povo brasileiro - disse Ideli.
Em aparte, o senador Eduardo Azeredo rebateu os comentários referentes à gestão de Fernando Henrique Cardoso. "As privatizações de algumas áreas deram certo, outras não",disse.
Azeredo repreendeu Ideli por suas críticas constantes e disse que a oposição tem sido até "compreensiva" com o atual governo.
- O PSDB não fará oposição como o PT fazia no passado - garantiu.
Meirelles
A senadora comentou ainda o fato de o Supremo Tribunal Federal ter acatado o pedido do procurador geral da República, Cláudio Fonteles, para abertura de inquérito contra o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, por suposto envolvimento com evasão de divisas e crime eleitoral.
- É bom sempre lembrar que nós estamos em um Estado Democrático de Direito, onde se pressupõe que todos são inocentes até prova em contrário. Mesmo quando há decisão judicial na primeira instância, pode-se recorrer - frisou.Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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