Mercadante: documentos citados por "Veja" não são da Abin

Da Redação | 14/03/2005, 00h00

Os documentos citados pela revista Veja em reportagem sobre suposto auxílio financeiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) ao PT não foram produzidos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), afirmou nesta segunda-feira (14) o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). O líder do governo disse que o esclarecimento foi feito pelo próprio ministro chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, responsável pelas atividades da Abin.

O general teria se certificado da informação junto ao ocupante do cargo no governo passado, general Alberto Cardoso. De acordo com Mercadante, Félix pediu para comparecer à Comissão de Controle Externo das Atividades de Inteligência no Brasil, para tratar do assunto. O presidente da comissão, senador Cristóvam Buarque (PT-DF), deve fazer o convite nos próximos dias, adiantou Mercadante.

- Mais do que ninguém, temos interesse que se chegue a origem da informação. É muito grave o que foi feito - disse Aloizio Mercadante.

Mercadante apontou imprecisões na reportagem de Veja. A própria revista, salientou, reconhece que não há comprovação de que recursos oriundos da guerrilha colombiana tenham chegado a campanhas petistas.

O líder do governo assumiu a tribuna depois dos pronunciamentos dos senadores Demostenes Torres (PFL-GO) e Alvaro Dias (PSDB-PR). O senador petista pediu cautela no tratamento do episódio - comportamento, segundo ele, adotado apenas pelo representante do PFL.

- O senador Alvaro Dias fez afirmações precipitadas que, com o andamento dos debates, ele saberá reconsiderar - afirmou.

Mercadante enfatizou a "tradição democrática de 25 anos do PT". Ele lembrou que o partido nasceu como repúdio à luta armada. Ele disse ainda que não interessa ao partido ter qualquer associação com as Farcs. O senador apresentou nota oficial divulgada no sábado (dia 12) no site oficial do Partido dos Trabalhadores.

"Consideramos a reportagem da revista Veja uma agressão à verdade dos fatos, à honra do Partido dos Trabalhadores e à ética jornalística. Aventuras deste naipe prejudicam a vida democrática do país", diz a nota.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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