Celso Furtado, um migrante nordestino e cidadão do mundo
Da Redação | 02/03/2005, 00h00
Celso Monteiro Furtado nasceu a 26 de julho de 1920 em Pombal, no sertão da Paraíba, e migrou para o Rio de Janeiro em 1939 para estudar na Faculdade Nacional de Direito. Fez seus estudos secundários no Liceu Paraibano, em João Pessoa, e no Ginásio Pernambucano, no Recife. Ainda estudante de Direito começou a trabalhar como jornalista na Revista da Semana. Em 1943, foi aprovado no concurso do DASP para assistente de organização, indo trabalhar no Rio e em Niterói.
Em 2004 foi indicado para prêmio Nobel de Economia por um grupo de economistas brasileiros liderado pelo ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Carlos Lessa. O desafio do desenvolvimento econômico do semi-árido nordestino e das regiões e países pobres do mundo foi o tema de sua obra de dezenas de livros. Entre esses, destaca-se o clássico Formação Econômica do Brasil, lançado em 1959, ano da fundação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a qual foi criador e primeiro superintendente, por convite do então presidente Juscelino Kubitschek.
Celso Furtado conviveu com o problema da seca desde criança. Em entrevista para o livro Seca e Poder, lançado em 1998 pela Editora Perseu Abramo, segundo a jornalista Marta Kanasshiro, Furtado relembrou histórias de família como a de seu avô, que perdeu todo o gado na seca de 1915 e na seca seguinte, de 1919, quando tentou em vão transferir o gado para Campina Grande.
Na época, a visão de Furtado sobre a seca era a de "uma calamidade natural". Depois, com o avanço nos estudos econômicos, a experiência internacional, Furtado passou a ver a questão como social e política. A crise de emprego e produção provocada pela seca também pode ser enfrentada com o desenvolvimento de tecnologias de irrigação, estudos de solo, novos mecanismos de informação e previsões climáticas. O primeiro programa de Furtado na Sudene para o semi-árido foi um plano de irrigação.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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