Delcidio Amaral ressalta que governo teve prudência para enfrentar crise
Da Redação | 25/02/2005, 00h00
O líder do PT, senador Delcidio Amaral (MS), afirmou nesta sexta-feira (25), da tribuna do Senado, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao assumir o governo, orientou todos os seus auxiliares para que tratassem com o "devido cuidado" assuntos administrativos que pudessem gerar preocupações desnecessárias ao mercado. E foi por isso, segundo o senador, que o governo conseguiu promover no país "uma transição absolutamente democrática, tranqüila e serena".
O discurso de Delcidio Amaral teve como objetivo melhor contextualizar declarações feitas pelo presidente da República na quinta-feira (24), no Espírito Santo, quando insinuou que resolvera não divulgar informações sobre presumíveis ilícitos nos processos de privatização ocorridos durante a gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Delcidio Amaral explicou que em 2001 a sociedade passou por momentos muito difíceis, a começar por "um racionamento grave de energia que trouxe distorções à economia do país". Além do mais, o PIB tinha declinado em 1,5 ponto percentual, com o mercado encolhendo cerca de 25%. Em virtude desse quadro, ainda de acordo com o senador, uma espécie de efeito dominó começou a se abater sobre várias empresas de energia elétrica, entre elas a AES, de origem americana e que acabara de comprar a Eletropaulo com financiamentos do BNDES.
- O presidente Lula, numa conversa com o presidente Carlos Lessa (do BNDES), teve absoluto cuidado para tratar desse assunto porque Sua Excelência sabia o risco que isso poderia trazer - afirmou o líder do PT.
Se o presidente Lula e o presidente do BNDES, Carlos Lessa, não tivessem adotado uma postura de prudência, de acordo com o senador, a economia brasileira poderia ter sido contaminada pela insegurança, acarretando "fuga de capitais". Delcidio ressaltou ainda que o BNDES, pela importância que tem para a economia brasileira, não poderia ficar exposto nem sua solidez ser colocada em dúvida. E isso teria sido alcançado pela atitude de equilíbrio do governo diante da crise do setor elétrico.
O senador ressaltou ainda que o processo de privatização da era FHC já foi exaustivamente debatido pelos brasileiros, levando, inclusive, "à saída de ministros". Se houve ou não irregularidades nos contratos, em sua avaliação, o assunto é hoje de exclusiva competência da Justiça.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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