CPI da Terra também investiga morte da irmã Dorothy

Da Redação | 23/02/2005, 00h00

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista da Terra reiniciou, nesta quarta-feira (23), suas atividades com uma reunião administrativa destinada a definir o calendário de trabalho até o dia 15 de junho, data prevista para a votação do relatório final. Ficou acertado que nessa última etapa a CPI irá se concentrar nas questões relativas à violência no campo, agravadas com a morte da missionária Dorothy Stang, em Anapu (PA).

Entre as pessoas que deverão comparecer à CPI para prestar depoimento está o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart; o ex-superintende do instituto no estado do Pará José Roberto de Oliveira Faro; o coordenador do Movimento dos Sem-Terra (MST) no Pontal do Paranapanema (SP), José Rainha; e, entre outros, Adriano Chafik Luedy, suspeito de haver encomendado a chacina que resultou, no ano passado, na morte de trabalhadores sem-terra em Felizburgo (MG). As datas ainda serão marcadas.

A CPI aprovou ainda, por unanimidade, requerimento de autoria da senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA) pedindo à Polícia Federal que aprofunde as investigações do caso desse assassinato, em função, observou, de fortes indícios da participação de outros fazendeiros, além do já indiciado Vitalmiro Moura, 'o Bida', como mandantes da morte de irmã Dorothy, bem como da existência de um 'consórcio' para financiar o pagamento dos pistoleiros que efetivaram os disparos. Segundo a senadora, a 'vaquinha' pode ter chegado a R$ 50 mil.

Por sugestão do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), parlamentares que fazem parte da CPI irão a Anapu para acompanhar as investigações sobre a morte da irmã Dorothy. A visita, programada inicialmente para a próxima terça-feira (1º de março), será em conjunto com membros da comissão especial do Senado criada para acompanhar o assassinato da religiosa. O senador Sibá Machado (PT-AC) defendeu a federalização da apuração e julgamento do crime.

A CPI, presidida pelo senador Alvaro Dias (PSDB-PR), aprovou ainda outro requerimento, desta vez de autoria do senador Sibá Machado e do deputado Adão Preto (PT-RS), solicitando a quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal de nove pessoas, acusadas de malversação de recursos públicos na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e pela escalada da violência agrária no Pará. São eles: Laudelino Délio Fernandes Neto; Lázaro de Deus Vieira; Lourival Santos da Rocha, conhecido como 'Pirrucha'; José Décio Barroso Nunes; Regivaldo Pereira Galvão; Danny Gutzeit; José Francisco Vitoriano; e Vitalmiro Moura.

Calendário   

Foi aprovado também o roteiro de trabalho proposto pelo relator, deputado João Alfredo (PT-CE). Na quinta-feira (3), os membros da CPI irão até Goiânia (GO) para debater, junto com o ministro das Cidades, Olívio Dutra, a reforma urbana. A cidade foi escolhida em virtude do conflito entre sem-tetos e policiais militares que resultou na morte de duas pessoas.

No dia 10 de março, parlamentares da CPI retornam ao estado do Pará para analisar de perto denúncias envolvendo trabalho escravo e desmatamento irregular de áreas verdes. No dia 17 será realizado, no plenário da comissão, um debate denominado 'Justiça e Impunidade', com a participação de representantes do Ministério Publico Federal (MPF), Poder Judiciário e Polícia Federal.

Nos dias 30 e 31 de março, membros da CPI viajam para os estados de Mato Grosso e Rondônia para realizar um diagnóstico da estrutura fundiária e problemas ligados à violência agrária. Nos dias 13 e 14 de abril, a CPI vai até a cidade de Unaí (MG) para analisar denúncias de trabalho escravo. Em maio visita o Pontal do Paranapanema e conclui todos os depoimentos agendados.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)