Virgílio: caso Dorothy Stang não pode ser tratado com maniqueísmo

Da Redação | 21/02/2005, 00h00

O senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) criticou a forma como o assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang, ocorrido no último dia 12 em Anapu (oeste do Pará), vem sendo tratado pelo governo federal e por alguns parlamentares governistas. Ele disse que o episódio não pode ser tratado com maniqueísmo ou reduzido a um mero jogo eleitoral.

Na avaliação do senador pelo Amazonas, o governo federal falta com a verdade ao tentar convencer a população de que existia uma inércia total na tentativa de acabar com a violência no campo antes do governo Luiz Inácio Lula da Silva e que somente agora o estado de direito teria chegado ao Pará. Ele advertiu que foi esse tipo de arrogância e soberba que levou o candidato governista à presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh, à derrota.

Citando várias matérias publicadas nos últimos dias pelos principais jornais do país, Arthur Virgílio registrou que o próprio governo do presidente Lula utilizou apenas 40% das verbas alocadas para o programa Paz no Campo. Ele também lembrou que foi somente após a tragédia ocorrer que o governo federal foi estimulado a anunciar ações regularizando as terras na Amazônica, medida que faria parte de um plano nacional.

- Se é verdade que eles tinham um diagnóstico da situação e sabiam que ela levaria a essa tragédia, por que não tomaram as medidas antes? O que vemos é o governo dormir em berço esplêndido o tempo inteiro enquanto a propaganda e o marketing rolam soltos e a demagogia vira tônica. O que existe é a malícia de tentar transformar inverdades em verdades - afirmou Arthur Virgílio.

Ainda baseado em matérias publicadas pela imprensa, Arthur Virgílio lamentou que uma das principais preocupações atuais do governo Lula seja combater o ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho. Ele observou que essa atuação pautada em picuinhas e em coisas menores está deixando a população cansada do atual governo e alertou para o risco de instabilidade e desestabilização política que pode ocorrer.

Em aparte, o senador José Jorge (PFL-PE) lamentou declaração recente do ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, de que as constantes altas da taxa de juros prejudicariam a reeleição de Lula. Ele disse que a prioridade do ministro deveria ser o crescimento econômico e a geração de empregos em vez de um segundo mandato para o atual presidente.

Já o senador Almeida Lima (PSDB-SE) disse estranhar o tom dos pronunciamentos de parlamentares governistas sobre o assassinato da missionária norte-americana. Ele destacou que soam como se quisessem passar para a sociedade a impressão de que a responsabilidade pelo fato é da oposição e de que o Brasil não está sendo governado pelo presidente Lula.

Para o senador Mão Santa (PMDB-PI) o governo Lula vem se especializando em fazer promessas e anunciar medidas que não se transformam em realidade. Ele citou como exemplo o anúncio feito pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, de que seriam construídos cinco presídios de segurança máxima no país.

Por sua vez, o senador Ramez Tebet (PMDB-MS) revelou que em seu estado a população está inconformada com o fisiologismo que estaria imperando no país. Ele defendeu a necessidade de uma reforma política que estabeleça, entre outros pontos, a fidelidade partidária. Caso contrário, previu, a classe política ficará desmoralizada perante a população.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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