Suassuna diz que crise da construção é grande e protesta contra decisão da CEF

Da Redação | 19/10/2004, 00h00

O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) afirmou da tribuna nesta terça-feira (19) que a construção civil no Brasil enfrenta uma grave crise, apesar de existir um mercado para absorver 7 milhões de moradias. Nos últimos anos os programas habitacionais dos governos tiveram "resultados pífios", mas agora disse que vê o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com "vontade política para enfrentar o problema".

- Mas é preciso retirar a vontade do plano puramente subjetivo e retórico - observou. O senador pediu ao governo que garanta a aplicação dos R$ 7,4 bilhões que o conselho curador do FGTS reservou para financiar a construção civil neste ano. "Este é o maior orçamento de toda a história do FGTS."

Suassuna protestou contra a decisão da Caixa Econômica Federal na Paraíba de limitar a 80% do valor do imóvel o financiamento de casa própria. O problema é que a CEF já costuma avaliar por baixo o valor dos imóveis a financiar, o que torna impossível a uma família comprar sua moradia se não tiver em mãos pelo menos 35% do seu valor.

- Na Paraíba, a crise da construção civil, especialmente das pequenas e médias empresas, é assustadora. A situação pode piorar com uma decisão como esta da Caixa - acrescentou.

Para exemplificar como é grande a crise da construção civil, Suassuna informou que o setor tem hoje um peso de apenas 8% no Produto Interno Bruto (PIB), depois de ter representado mais de 20% em décadas passadas. Ele considerou equivocada a linha política adotada pelo governo no ano passado, que destinou os financiamentos do FGTS à compra de imóveis prontos e a materiais de construção.

- Imóvel pronto não cria novos empregos e o financiamento de materiais de construção, da forma como foi feito, só estimula favelização - opinou o senador da Paraíba.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

MAIS NOTÍCIAS SOBRE: